Terror na Antártida

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01.10.2009

Falta de surpresas em "Terror na Antártida" é um insulto ao público

Tempos atrás Kate Beckinsale reclamou de seu figurino em “Anjos da Noite”, onde tinha que usar uma roupa de couro a maioria do tempo. Pois em “Terror na Antártida”, o diretor deve ter ouvido o apelo da atriz, e resolveu começar seu filme com uma cena na qual ela aparece seminua logo após chegar em uma estação no meio da Antártida.

Visto que o apelo da cena em questão é puramente comercial para chamar o público jovem masculino, as conclusões acerca do filme já estão formadas. Dito isso, a expectativa é a mínima possível.

Com uma premissa que se passa toda no gelo da Antártida, baseada na HQ de Greg Rucka, lançada em 1999, a história acompanha uma agente (chamada Carrie Stetko), prestes a deixar a estação quando um corpo, ou “picolé” é descoberto no gelo por um piloto e ela precisa investigar a morte.

Sua investigação leva-os a perceber que o primeiro assassinato tenha ocorrido no continente gelado e que o assassino continua foragido. E face ao local onde se encontram, as chances são grandes do mesmo ainda estar por lá. Ao longo das investigações Stetko encontra um detetive da ONU que a ajuda na caça ao assassino.

Os roteiristas tentam várias vezes jogar pistas falsas na desorientação criada pelo diretor Dominic Sena (“A Senha”), em vão. Toda e qualquer surpresa já é descoberta logo após a metade da projeção. E não bastasse a falta de surpresas fica a dúvida de por que rever tantas vezes um mesmo flashback cuja repetição apenas irrita. Um insulto a inteligência do público.

E se queriam conquistar a simpatia do público por uma agente nos confins do mundo erraram ao colocar milhares de personagens na tela e mostrar uma festa no inicio da projeção. A impressão que fica é que ocorre uma festa por dia naquela estação, já que Beckinsale não chega a ficar sozinha nem 5 minutos do filme. Até mesmo a cena do chuveiro a deixa sozinha por apenas 20 segundos.

E se o filme não prende nem acrescenta nada de novo ao gênero, o final é dos mais previsíveis. Para os mais atenciosos a descoberta acontece bem antes: Uma pedida bem previsível para o fim de semana.

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AUTOR

Felipe Fornari

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