The Dink: A Última Chance

(2026) ‧ 1h42

Um recomeço que encontra seu ritmo

Felipe Fornari

As histórias de superação no esporte costumam seguir uma fórmula bastante conhecida, e The Dink: A Última Chance não faz muito esforço para escondê-la. O longa acompanha um ex-prodígio do tênis tentando reconstruir a própria vida ao descobrir o pickleball, modalidade vista com desdém por ele e, principalmente, por seu pai. Ainda que caminhe por territórios familiares, o filme encontra charme suficiente em seus personagens para transformar essa jornada em um entretenimento agradável.

Jake Johnson assume o protagonismo com a naturalidade de quem conhece bem esse tipo de personagem. Dusty Boyd é arrogante, inseguro e incapaz de admitir que parte de seus fracassos também é consequência de suas próprias escolhas. O ator equilibra essas características sem tornar o protagonista antipático, permitindo que o público acompanhe sua evolução com simpatia, mesmo quando ele insiste em culpar todos ao seu redor pelos rumos de sua carreira.

Grande parte desse mérito também passa pela ótima parceria entre Johnson e Mary Steenburgen. Candace surge inicialmente como uma figura de apoio, mas rapidamente conquista espaço graças ao carisma da atriz e ao excelente timing cômico de suas interações com Dusty. A relação entre os dois evita o sentimentalismo exagerado e oferece alguns dos momentos mais divertidos e sinceros do filme.

Enquanto isso, a dinâmica familiar acrescenta uma camada dramática interessante à narrativa. Ed Harris interpreta o pai de Dusty com uma rigidez que torna evidente o peso das expectativas que sempre recaíram sobre o filho. Embora o roteiro não aprofunde essa relação tanto quanto poderia, existe uma honestidade na maneira como o filme retrata o desejo de reconhecimento que continua guiando as decisões de seu protagonista.

O humor, por sua vez, alterna bons acertos e algumas piadas que não encontram o mesmo efeito. Há participações especiais e situações que funcionam muito bem, enquanto outras parecem depender excessivamente de clichês típicos das comédias esportivas. A narrativa também poderia ganhar mais força com uma edição um pouco mais enxuta, já que determinados momentos prolongam conflitos que já haviam cumprido sua função.

Ainda assim, The Dink demonstra um entusiasmo contagiante ao apresentar o universo do pickleball. Mesmo para quem conhece pouco a modalidade, o filme consegue transmitir a competitividade e a diversão do esporte sem transformá-lo em mero pano de fundo. O esporte acaba funcionando como símbolo do recomeço de Dusty, mostrando que novas oportunidades podem surgir justamente onde menos se espera.

The Dink: A Última Chance talvez não reinvente as comédias esportivas, mas entende perfeitamente aquilo que pretende entregar. Sustentado por um elenco bastante carismático e por um protagonista fácil de acompanhar, o longa oferece uma mistura eficiente de humor, romance e superação. É uma história previsível, mas suficientemente simpática para fazer com que sua última chance também seja uma boa companhia para o público.

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