Tom & Jerry foram responsáveis por entreter milhares de fãs com suas clássicas perseguições, e prendê-los às telinhas. Em Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu, novo longa da Warner, eles miram em divertir as crianças de hoje para comemorar seus 85 anos, dessa vez nas telonas.
A premissa é simples e fiel à essência do caos que sempre definiu a relação entre gato e rato. Jerry decide visitar uma exposição de artefatos chineses em um museu, mas se depara com Tom, agora segurança do local, impedindo sua passagem. A perseguição começa como sempre começou, mas ganha contornos inesperados quando os dois esbarram em um objeto místico e acabam sendo transportados para uma Era Antiga. Perdidos no tempo e longe de casa, talvez a única saída seja algo que nunca vem com facilidade para os dois: esquecer as diferenças e trabalhar em equipe.

Visualmente, o filme não economiza. Ele é carregado de informações, cores saturadas, movimentos constantes e estímulos por todos os lados. Não chega a ser confuso, mas está muito distante de qualquer proposta minimalista. Curiosamente, os elementos mais simples acabam sendo justamente Tom e Jerry, que, apesar dos acessórios e do novo contexto, preservam o design clássico de gato e rato que os tornou reconhecíveis para qualquer geração.
Pensando na narrativa do filme, não há grandes novidades. O roteiro segue caminhos previsíveis e não se preocupa em reinventar a dupla, o que é bom, mas coloca os dois em alto completamente fora do normal, o que gera certa estranheza. O charme do filme está menos na originalidade e mais na nostalgia, no ritmo acelerado e na sucessão quase ininterrupta de situações caóticas. Funciona como espetáculo, como movimento, como barulho, no melhor e no pior sentido.

Se por um lado o longa vai na contramão de uma valorização de narrativas mais calmas para o público infantil, por outro acerta em cheio ao dialogar com a linguagem atual das crianças, acostumadas a estímulos constantes. Para quem cresceu aprendendo a gostar da essência de Tom e Jerry, ela até está ali, mas soterrada por uma avalanche de personagens, exageros e excessos que diluem aquilo que um dia fez da dupla algo tão especial.
No fim, o filme funciona mais como celebração barulhenta do que como reflexão sobre o legado desses personagens. Diverte, prende a atenção e cumpre seu papel com o público infantil de hoje, mas deixa a sensação de que, em meio a tanta correria, Tom e Jerry acabam correndo o risco de virar coadjuvantes de si mesmos.







