Três Vezes Adeus, uma coprodução entre Itália e Espanha, é um filme que encanta e emociona, no qual as lágrimas caem em diversos momentos. Fazia tempo que uma obra não tocava tão fundo. E não se trata de manipulação barata ou melodramática, mas porque a diretora acerta na complexidade que aborda: a vulnerabilidade da vida e dos seres humanos, os sentimentos, os dilemas pessoais, a beleza que resiste mesmo na dor. É um filme sobre aprender a dizer adeus, ao amor, à saúde, à vida, sem perder a capacidade de enxergar poesia no mundo. Uma obra que nos faz refletir sobre o que realmente importa e sobre como, mesmo diante de perdas dolorosas, podemos encontrar motivos para seguir em frente com dignidade e beleza.
A história começa com a separação de Marta e Antonio, um casal que outrora foi muito apaixonado, mas que relação se esgotou em desencontros e desgastes cotidianos. Antonio, chef de cozinha renomado, toma a iniciativa do término. No entanto, logo percebe que a conexão entre os dois ainda é forte e que as coisas não se resolvem de maneira tão simples. Marta, professora de educação física, vê-se desolada com a separação. Para complicar ainda mais, após dores abdominais intensas e falta de apetite, que a princípio imaginou serem decorrentes do fim do relacionamento, descobre que tem um câncer avançado, em metástase e irreversível.

O filme acompanha predominantemente o cotidiano de Marta: o sofrimento pela separação e pela saúde debilitada, mas também a descoberta de uma beleza que reside no olhar, no caminhar, em um prato de comida, em um raio de sol, em um gesto de carinho e, sobretudo, no respeito a si mesma. Marta aprende a encarar as dores com serenidade e dignidade. Tudo isso tendo Roma como cenário, uma cidade que por si só é apaixonante, aos olhares das “madonas”.
A atriz Alba Rohrwacher entrega uma performance extraordinária como Marta. Sua interpretação é contida e, ao mesmo tempo, comovente. Consegue transmitir a fragilidade e a força de uma mulher que, diante da morte iminente, redescobre o valor das pequenas coisas. Elio Germano, como Antonio, também se destaca ao mostrar a culpa e a confusão de um homem que, tendo tomado a iniciativa da separação, agora precisa lidar com as consequências de suas escolhas.

Considero que Três Vezes Adeus pertence à categoria daqueles filmes que conseguem captar a complexidade da alma humana. A diretora Isabel Coixet constrói um cenário de dores, separações e medo, especialmente o medo existencial diante de questões de saúde, mas o faz sem jamais perder de vista as belezas da vida.
A cineasta espanhola acerta ao equilibrar o peso emocional da história com uma estética que valoriza o cotidiano. Há honestidade com o trato com temas difíceis, sem recorrer ao sentimentalismo fácil, sem excessos melodramáticos desnecessários. A câmera observa Marta com ternura, permitindo que sintamos a sua a dor sem sermos sufocados por ela. Há poesia no olhar da protagonista, no seu caminhar por Roma, na forma como ela se reconstrói lentamente. É um filme sobre a capacidade humana de se reerguer mesmo quando tudo parece perdido, sobre possibilidade de encontrar paz mesmo quando o fim se aproxima. Desperta emoções que nós, em algum momento, experimentamos.







