Última Hora

(1931) ‧ 1h41

04.04.1931

"Última Hora": o retrato cômico e caótico do jornalismo dopassado

Última Hora é um filme que transcende sua era ao retratar a agitação caótica e perspicaz das redações de jornais na década de 1930. Indicado ao Oscar de Melhor Filme, a produção, dirigida por Lewis Milestone, não apenas oferece uma sátira envolvente sobre a ética jornalística e a corrupção política, mas também serve como precursora das screwball comedies, um gênero cinematográfico conhecido por diálogos rápidos e inteligentes.

Baseado na peça homônima de Ben Hecht e Charles MacArthur, Última Hora concentra-se principalmente na sala de imprensa de um tribunal, introduzindo o público à frenética dinâmica entre repórteres, editores e personagens envolvidos em um escandaloso caso judicial. A trama se desenrola com diálogos afiados e situações hilariantes, proporcionando um vislumbre da intensidade e do humor peculiar que permeavam as redações na época.

O filme é notável por iniciar uma tendência cinematográfica de ambientar a ação em redações de jornais, uma escolha de cenário que se tornou icônica e influente. A sala de imprensa, com suas máquinas de escrever barulhentas e repórteres ágeis, tornou-se um palco dinâmico para narrativas rápidas e repletas de reviravoltas.

A sátira contundente em relação à corrupção política e às práticas éticas questionáveis dos jornalistas é um dos pontos fortes do filme. No entanto, é importante observar que a percepção contemporânea desses temas pode variar consideravelmente, dada a evolução das normas e expectativas em relação ao jornalismo e à representação na mídia.

Última Hora também é lembrado por ter inspirado diversas adaptações, sendo Jejum de Amor (1940) e a versão de Billy Wilder em 1974 as mais emblemáticas entre elas. A versatilidade da trama permitiu que ela fosse reinterpretada ao longo das décadas, destacando a duradoura relevância de sua estrutura cômica e intrigante.

Embora a realidade das redações de jornais tenha evoluído consideravelmente desde a época retratada em Última Hora, o filme continua sendo uma cápsula do tempo fascinante e uma peça fundamental para entender a evolução do humor e da representação jornalística no cinema. A narrativa ágil e os diálogos afiados garantem que a produção permaneça uma experiência envolvente, mesmo para audiências contemporâneas que podem se encontrar distantes da era do jornalismo frenético e sem tecnologia.

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AUTOR

Felipe Fornari

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