Últimos Dias no Deserto

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08.09.2016

"Últimos Dias no Deserto" é um filme sobre um Jesus de olhos azuis bem humano, funcionando em vários aspectos

Vou começar este negócio aqui de uma forma bem esperada por qualquer um que tenha assistido ao trailer: Ewan McGregor como Jesus Cristo? Ops! E na primeira cena (muito bonita, por sinal, com cenas amplas e com uma luz natural incrível) temos um close do rosto dele, com enfoque nos lindos olhos azuis do deus britânico Ewan McGregor? Ai, ai, ai, Últimos Dias no Deserto… já começou mal.

Bom, filmes religiosos já são complicados por natureza. Aqui no Brasil estamos traumatizados com Os Dez Mandamentos (o quê, não leu minha resenha? Não perca mais tempo, e junte-se ao grupo de haters nos comentários), e tem vários filmes religiosos de gosto duvidoso sendo lançados no mercado mundial em geral. Nada contra, por favor, mas eles realmente são muito ruins, em sua maioria. Aí Últimos Dias no Deserto ganha ponto: ele realmente não é um filme ruim. Ele é até bom. Se você esquecer que Ewan é Jesus, você esquece que está assistindo a um filme religioso. E se não souber um pouquinho da história de Jesus, nem vai se ligar mesmo que é a história dele até quase praticamente o final (bom, quem é que vai no cinema sem saber o que vai ver, né? Muita gente, você tá certo!).

O filme conta o que Jesus ficou fazendo no deserto nos 40 dias que passou orando e jejuando enquanto era tentado pelo diabo. Mas o lance legal é que não tem citação bíblica (ainda bem, porque o filme é longo, lento, se tivesse citação bíblica, eu tinha dormido, juro), e mostra um lado mais humano de Jesus (e mais bonito, com os olhos azuis do Ewan, claro), interagindo com uma família que mora no deserto e está passando por dificuldades. Um enfoque muito bacana, diferente do que estamos acostumados a ver em outros filmes religiosos.

Além disso, o filme é realmente bonito. As grandes paisagens, os takes longos, a trilha sonora que casa direitinho com as cenas, a atuação sempre bacana do Ewan McGregor, em interação com os outros atores, que estão muito bons também, tudo constrói um bom filme. A história tem alguns furos, temas que não fecham, mas no geral é bacana – apesar de eu não ter entendido muito bem o final (assiste e me explica depois, por favor).

Assim, o filme até que vale a pena. E como as cenas são grandes, lindas, com muita luz natural, com paisagens de tirar o fôlego, vale a pena ver no cinema. Apesar de o filme ser longo, lento e dar sono (não vá após o almoço, com perigo de dormir). Filme ideal pra levar a mãe (a não ser que ela seja muito religiosa, aí capaz de não gostar do enfoque diferentão).

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Melissa Correa

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