Um Final de Semana em Paris

02.04.2015 │ 19:52

02.04.2015 │ 19:52

Relacionamentos são complicados. Qualquer tipo de relacionamento. Imagina então o de um casal que está junto há muitos anos? São desejos reprimidos, sonhos esquecidos, e muita, mas muita raiva guardadinha dentro do peito, e que explode em brigas intermináveis pelos motivos mais idiotas. Ah, e tem amor também, ô se tem. Bem, e se colocássemos como pano de fundo Paris pra discutirmos um relacionamento assim, tão duradouro? Então apronte as malas, digo, os ingressos, e vamos assistir a Um Final de Semana em Paris.
No filme, Nick (Jim Broadbent) e Meg (Lindsay Duncan) são dois britânicos que viajam a Paris para comemorar seus 30 anos de casados. Mas assim que o filme começa, você vê que este filme não vai pintar os dois como o casal perfeitinho, indo passar um final de semana romântico na cidade mais romântica do mundo. Eles parecem mais um casal tentando salvar a relação. Já no trem, ao invés de antecipação e desejo, vemos que os sentimentos aflorando são tensão e raiva. Chega a dar desespero. E eles andam pelas ruas de Paris brigando como dois adolescentes, discordando em tudo. Ela tem gênio forte, gosta das coisas do jeito dela e o manipula até consegui-las. Ele faz questão de atender a todos os desejos da esposa, apesar de dar uma resmungada aqui e outra ali. E nestes vai e vens, eles se hospedam em um hotel caríssimo (sem ter as condições de pagar por ele), fogem de restaurantes sem pagar a conta, se metem em um jantar de um ex-aluno de Nick, Morgan (Jeff Goldblum), que é fã do professor, discutem a relação, brigam, se odeiam, se amam. Curtem Paris ao máximo.
Achei o filme incrível por, sem dar muitas explicações para as escolhas que os protagonistas fizeram em suas vidas e que os fizeram chegar até ali, conseguir mostrar suas angústias e desejos em muita profundidade. Eles são tão transparentes no que estão sentindo que você consegue compartilhar o sentimento, ficar com raiva do que está acontecendo, se compadecer, ou só acompanhar com curiosidade crescente. Achei que o filme foca principalmente no que Nick está sentindo, e quase que coloca Meg como uma vilã, uma manipuladora que não compartilha os mesmos sentimentos que o marido. Mas será que é isso mesmo? Fácil julgar, tirar conclusões precipitadas. Mas você vai ter que chegar ao final do filme para conseguir chegar a alguma, se existir alguma.
A cena em que Meg está dormindo e Nick está bebendo, ouvindo “Like a Rolling Stone” e dançando, é de dar arrepiar. E letra da música é inquisitiva, como se fosse a consciência de Nick questionando suas escolhas. Foram boas? Foram acertadas? “You used to laugh about”, “How does it feel?”, “To be on your own”, “Like a rolling stone”. Um daqueles momentos, como muitos outros no filme, que te fazem analisar a sua vida. Tem também a cena em que Morgan, recém-casado e com um filho a caminho, conta a Nick que sua jovem esposa ainda não viu quem ele realmente é, e ele tem medo do dia que isso acontecer, em que ele deixar a máscara cair e ela ver seu verdadeiro eu. Será que ela pula fora do barco, ele se questiona? E Morgan sente certa inveja da vida, apesar de nada fácil, que Nick leva, apesar de Nick, até então, acreditar que não tinha nada que pudesse ser invejado. Mas ele acaba descobrindo que tem, muito, só precisa resgatar. Assim como seu casamento.
Antes que você pergunte, vale. Vale sim! Vale mil vezes! Se não for pra ver o casal batendo uma relação, que seja pelo pano de fundo. O filme é incrível sob qualquer ótica. Vai, e seja feliz.

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