Uma Mulher Sem Filtro

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Sem freios e sem culpa: A fForça de "Uma Mulher Sem Filtro"

A comédia brasileira Uma Mulher Sem Filtro nos convida a refletir sobre o universo feminino.

Dirigido por Arthur Fontes e adaptado do filme chileno Sin Filtro (2016) para o cotidiano brasileiro por Tati Bernardi — sim, a mesma do podcast Calcinha Larga, apresentado por Helen Ramos e Camila Fremder (que eu adoro, então sou suspeita para falar do roteiro) — o longa mistura leveza e crítica social.

Apesar de não me arrancar gargalhadas, a comédia provoca identificação. As situações retratadas são tão comuns que quase todas as mulheres já viveram algo semelhante, muitas vezes mais traumático do que engraçado. A sensação de estar engessada é literalmente paralisante.

Bia, interpretada pela brilhante Fabiula Nascimento, engole sapos que, em algum momento, todas nós já engolimos: um chefe machista, um marido folgado, desrespeito no trânsito, uma vizinha inconveniente, uma amiga que só fala e não escuta, um crush esquerdomacho, um enteado mimado…

O enredo nos leva a pensar: o que aconteceria se perdêssemos toda a autocensura? Se não houvesse filtro algum? Conseguiríamos manter nossos relacionamentos? É nesse território que o filme transita, explorando o que poderia acontecer se falássemos exatamente o que pensamos — ou se deixássemos escapar não apenas um olhar impaciente (sabe, aquele emoji dos olhos virados para cima) ou um suspiro de exaustão, mas tudo de uma vez.

As explosões da protagonista são deliciosamente aplaudidas, mas a forma como ela tratou a relação da irmã com seu gato (tido como filho) foi um ponto que me incomodou. A protagonista desqualifica o sentimento da irmã, como se fosse algo bobo, mas até que ponto a gente pode julgar o afeto que o outro tem ou as escolhas que não interferem na nossa? Determinada cena com o animal, aliás, perdeu impacto ao usar um bicho de pelúcia.

No fim, vemos a transparência de uma mulher, apenas tentando existir em um mundo onde, para ocupar espaço, ainda precisamos “pedir licença” e provar competência. Com um pano de fundo de viés feminista, o filme mostra que outras mulheres não são rivais, mas sim companheiras, com dores diferentes ou iguais. Mesmo que a palavra “empoderamento” esteja desgastada no discurso atual, aqui ela aparece de forma leve e divertida e confesso, mesmo fora de moda, me senti empoderada.

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