Volveréis

(2024) ‧ 1h54

Quando o fim vira festa: A delicada reinvenção do amor em "Volveréis"

Ricardo Feldmann Dotto

O filme espanhol Volveréis, de 2024, dirigido por Jonás Trueba, dirigido por Jonás Trueba é uma comédia dramática ou uma comédia romântica subvertida/agridoce.

O filme foi premiado com o Label Europa Cinemas na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, e foi listado entre os melhores filmes do ano pela prestigiosa revista francesa Cahiers du Cinéma e pelo jornal El Mundo.

A premissa central é inusitada e chama a atenção: Ale (Itsaso Arana), cineasta, e Alex (Vito Sanz), ator, um casal há 15 anos, decidem se separar. No entanto, eles optam por fazer uma grande festa para celebrar o fim do relacionamento, em vez de se afundarem em drama. A ideia é inspirada em uma provocação do pai de Ale (interpretado por Fernando Trueba, pai do diretor).

O filme explora a separação de uma forma serena, divertida e melancólica, questionando as convenções sociais de que um término deve ser necessariamente trágico ou um fracasso. É visto como um respiro cinematográfico que celebra a ambiguidade das despedidas e o “renascimento do sentimento”.

A repetição é uma ferramenta narrativa chave, onde o casal repete a mesma história e justificativas para amigos e familiares (gerando humor e reflexão) e cenas do cotidiano se repetem com pequenas variações. Isso reflete o dia a dia e é uma referência ao filósofo Kierkegaard sobre o “amor da repetição”.

Há um forte elemento de metalinguagem, pois Ale é diretora de cinema e está montando um filme que tem Alex no elenco. Isso borra as fronteiras entre a vida real dos personagens e a ficção dentro da ficção.

O trabalho de Jonás Trueba é interessante por sua delicadeza, profundidade, humor e sutileza. O estilo lembra muito o do cineasta francês Éric Rohmer, focando no íntimo e nas pequenas coisas do quotidiano.

A cumplicidade descomunal e a ótima química entre Itsaso Arana e Vito Sanz são a sustentação da narrativa, tornando crível o relacionamento cordial e a incerteza de que a separação seja, de fato, o fim.

Em resumo, Volveréis é uma obra que redefine os códigos da comédia romântica, sendo uma reflexão inteligente e terna sobre o amor, a repetição do cotidiano e a reinvenção das relações.

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