Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá

(2025) ‧ 1h30

02.07.2025

"Yõg Ãtak": Quando a história é contada por quem viveu

Novidade não é que documentários são em grande verdade, aulas audiovisuais de história, e obviamente como toda aula de história é contada a partir de algum ponto de vista,em geral no passado nossos livros de história eram escritos de maneira eurocêntrica e de acordo com os dados e visão fornecidos pelo colonizador.

Não é à toa que a História do Brasil retratada nos livros didáticos se dá depois de 1500, ano em que ocorreu a invasão européia por essas terras. E pernanecemos assim para saber o que aconteceu depois também, sempre a partir do que os outros viram, quem invade romantiza para justificar até mesmo atrocidades, genocidio e escravidão.

Em Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá o olhar é outro, o rumo é diferente, é a oportunidade de assistir uma produção gerada contando o fato por quem viveu e representando seu povo de origem, os reais pioneiros, os povos originários dessas terras e que são chamados de indígenas como uma forma de determinar que todos são os mesmos, porém o número de povos e culturas e línguas dessa origem é incontável.

As irmãs Sueli e Isael Maxakali, são algumas responsáveis por tal obra, e que estão em busca desse pai, que teve por vezes o direito à liberdade em seu território retirada sem nenhum tipo de permissão, seja na história dos seus antepassados que desde a invasão tendo seu espaço cada vez mais comprimido, seja na história um pouco mais recente, com a privação feita pelos algozes da ditadura militar no Brasil, perdendo seu passado sua história sua família de vista.

No decorrer desta peça documental ainda temos a oportunidade de ver as interações e a capacidade dos parentes de se manterem galgados em seus rituais e costumes e se adequando ao que os tempos de hoje oferecem , que assim é de direito. Afinal aplaudimos e vibramos tanto a ponto de ser tornar uma moda em relação a rituais costumes e culinária oriental, mas ainda vemos o que temos dos nossos povos como algo tão exótico e distante.

Ninguém precisa querer adotar tais costumes se não nos é familiar, mas o mínimo de respeito e empatia nos faria normalizar tal oportunidade que o documentários nos propõe, podemos beber dessa fonte também. Afinal ser brasileiro é ser único e agregador.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Tina Santos

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