Zona de Interesse

Zona de Interesse é um filme de drama histórico dirigido por Jonathan Glazer (Under the Skin) e escrito por Glazer e Walter Donohue. É baseado no romance de Martin Amis.

O longa se passa em 1942 e segue a história de um jovem oficial da SS que é designado para trabalhar em um Sonderkommando , um grupo de prisioneiros judeus encarregados de Sonderaktion 1005, a operação nazista para apagar as evidências do extermínio em massa no campo de concentração de Auschwitz.

A história do filme também é baseada no livro The Commandant de Rudolf Höss.

A obra aborda um tema extremamente delicado: a banalidade do mal durante o Holocausto. A história se desenrola em torno da família de Rudolf Höss, comandante do campo de concentração de Auschwitz, e explora a vida cotidiana dos nazistas que viviam próximos ao horror do genocídio.

Rudolf Höss, comandante do exército alemão na Segunda Guerra, que mora literalmente ao lado de Auschwitz com sua família, lidera as operações dentro daquele que ficou conhecido como o mais brutal campo de concentração da Alemanha de Hitler.

Glazer se nega a explicar qualquer detalhe da trama de forma tradicional, seja falada ou por imagens, e apenas conduz a trajetória dos Höss como um grupo de pessoas de um subúrbio qualquer.

A primeira cena, com todos os familiares num lago se banhando num verão bucólico, expressa justamente essa normalidade com a qual o cineasta orquestra todos os pontos de Zona de Interesse, exibindo o filme como um exame poderoso e perturbador do Holocausto.

O filme é elevado pelas atuações excepcionais de Christian Friedel, Sandra Hüller e Johann Karthaus. Friedel, em particular, entrega uma performance complexa e perturbadora como Höss, capturando a frieza do mal. Glazer opta por não mostrar diretamente as atrocidades do Holocausto, focando em vez disso na vida normal da família do nazista. Essa abordagem indireta é poderosa e instigante, forçando o espectador a confrontar a cumplicidade e a indiferença que permitiram que tais horrores acontecessem.

A cinematografia do filme é meticulosa e evocativa, capturando a atmosfera claustrofóbica e o vazio moral da época, com uma estética impecável. A trilha sonora minimalista também contribui para a sensação de desconforto e angústia.

A narrativa do filme é deliberadamente lenta e contemplativa, o que pode frustrar alguns espectadores que buscam uma experiência mais dinâmica. Zona de Interesse também não oferece respostas fáceis sobre a natureza do mal ou a culpa dos envolvidos no Holocausto. O filme deixa o espectador com questionamentos perturbadores, o que pode ser desconfortável para alguns.

Este filme é recomendado para quem busca uma experiência cinematográfica profunda e complexa sobre um dos eventos mais sombrios da história humana. É importante estar preparado para lidar com temas pesados, pois Zona de Interesse constrói o horror pela frivolidade do cotidiano, impondo de forma sutil a naturalidade com que os agentes de um dos maiores crimes da humanidade se comportaram.

Ao mesmo tempo que retrata um casal de adolescentes se beijando escondidos, é possível ouvir tiros sacrificando prisioneiros ou acompanhar a sutil fumaça dos trens lotados chegando para testar as primeiras câmaras de gás que marcaram a História.

Inquestionavelmente, é um filme desafiador, inovador e instigante que oferece uma perspectiva única sobre o Holocausto. As atuações impecáveis, a abordagem inédita e a estética realista compensam o ritmo lento e a falta de respostas definitivas. O filme é uma obra de arte importante que nos convida a refletir sobre a natureza do mal e a importância da memória.

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