Zoom

31.03.2016 │ 10:42

31.03.2016 │ 10:42

E se todos fôssemos personagens de uma trama criada por alguém? Ou seja, aquela casca de banana no meio do caminho (amo clichês) que te fez escorregar e levar um baita tombo foi colocada ali por alguém. Não importa se desenhando ou escrevendo, alguém desejou que aquele objeto estivesse ali e interferisse no seu dia. E uma borracha pode mudar tudo isso, se seu criador desejar. E a borracha é um dos objetos mais usados no filme Zoom, do diretor brasileiro Pedro Morelli, um filme basicamente nacional, mas com todos os atores falando inglês (garanto que é o primeiro filme brasileiro que você vai assistir que tem legendas!!).
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A trama pode parecer um pouco complicada, mas ela é, na verdade, deliciosamente divertida. No filme, Emma (Alison Pill) trabalha em uma fábrica de bonecas sexuais, cercada de corpos surrealmente perfeitos o dia todo e desejando ter seios maiores para deixar de ser a garota apenas “legal”. Nas horas vagas, ela trabalha em uma história em quadrinhos em que o personagem principal é Edward (Gael García Bernal), um diretor de cinema muito conhecido por seus filmes de ação, com muitas explosões e perseguições. Mas ele está passando por uma fase mais autoral, e acabou de finalizar um filme um pouco sensível demais para os padrões da produtora. O filme conta a história de Michelle (Mariana Ximenes), uma modelo que quer mudar de carreira e virar escritora. Como não tem apoio do namorado, que acredita mesmo que o que ela tem de melhor é o rostinho bonito, ela abandona tudo nos Estados Unidos e volta para o Brasil para escrever seu livro. E a história que Michelle está escrevendo acompanha Emma, que trabalha em uma fábrica de bonecas sexuais… ops, deu tilt aqui!
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O lance das três histórias que estão uma dentro da outra, com personagens que dependem de seus criadores e suas dificuldades artísticas (Emma não curtiu as próteses e desconta em Edward, diminuindo seu pênis – lembra, ela pode, basta usar uma borracha e uma caneta; por causa disso, Edward não está conseguindo convencer a produtora a deixar que ele faça o filme que quiser; e porque ele não pode fazer o filme que quiser, Michelle está mais propensa a viver um filme de ação, com direito a resgate com helicóptero e tudo), já é um show a parte. O filme pode parecer bem clichezento, e até se contradizer (ele critica a objetificação da mulher, mas aí expõe as atrizes sem muita justificativa), mas com as histórias dentro das histórias, com tanta metalinguagem, metáfora e sei lá mais o que, o filme dá margem pra zilhões de interpretações que estão bem longe do senso comum.
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O filme está sendo muito comentado também porque uma das histórias (a de Edward) foi feita todinha em animação, na técnica de rotoscopia (em que se usa o filme gravado para animar, que foi utilizada por Richard Linklater em Waking Life). O filme contou com 60 profissionais animando 21 mil quadros. E, sério mesmo, o resultado é incrível. E outra coisa bem bacanuda do filme acontece em uma de suas cenas mais importantes: toca [video_lightbox_youtube video_id=”pBQ-S6njQQw” width=”640″ height=”360″ anchor=”Oh! You Pretty Things“], do Bowie. Ficou perfeito. E conta o diretor que conseguiu a música mesmo sem ter a verba necessária para pagar pelos direitos do uso dela. É que Bowie assistiu ao filme e gostou, e deixou os produtores pagarem o quanto tinham. <3 01
Bom, se não te convenci ainda a ver o filme, o que vai convencer este teu coração de pedra? Quem sabe se eu contar que também tem Jason Priestley (de Barrados no Baile, tão gato quanto antes!) e Cláudia Ohana, que parece não ter envelhecido um dia sequer depois de fazer aquela novela sobre vampiros! É isso aí, o filme tá mara mesmo, vai ver! Vai valer cada centavinho (e ainda vale pipoca e refri!).
Nota:

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