Backrooms: Um Não-Lugar

(2026) ‧ 1h50

22.05.2026

Perdidos no vazio dos "Backrooms"

Um vendedor de móveis descobre um portal escondido dentro da própria loja e acaba entrando em um labirinto infinito formado por corredores vazios, escritórios silenciosos e salas que parecem existir completamente fora da realidade. A partir dessa descoberta, a narrativa mergulha lentamente naquele universo estranho e desconfortável dos Backrooms”, transformando espaços comuns em ambientes sufocantes que parecem engolir qualquer sensação de orientação ou estabilidade emocional.

O filme entende muito bem o fascínio visual que existe em torno dessa estética de lugares abandonados e artificiais, utilizando corredores intermináveis, iluminação fluorescente e ambientes corporativos desertos para criar um terror muito mais baseado em atmosfera e inquietação do que em sustos convencionais. A ambientação dos anos 1990 fortalece ainda mais essa experiência através das câmeras de mão, da textura crua da imagem e daquele aspecto analógico imperfeito que faz tudo parecer um registro perdido no tempo, aumentando constantemente a sensação de estranhamento.

Visualmente, tudo contribui para ampliar a desorientação dos personagens. Os enquadramentos apertados, as imagens tremidas e a iluminação artificial fazem com que o próprio espaço pareça vivo e hostil, enquanto a repetição daqueles corredores cria um desgaste psicológico contínuo. O horror nasce menos da ameaça física e muito mais da sensação de aprisionamento, isolamento e perda gradual de identidade, principalmente quando a narrativa começa a explorar subtextos ligados a trauma e deterioração emocional.

Mesmo nos momentos em que o roteiro mergulha em algo mais abstrato e confuso, essa falta de lógica acaba funcionando dentro da experiência proposta pelo filme, já que a sensação constante é a de acompanhar personagens presos em um lugar impossível de compreender completamente. Boa parte das imagens continua reverberando depois da sessão, especialmente porque o desconforto não desaparece quando o filme termina. A atmosfera permanece inquietante justamente por abraçar esse vazio inexplicável que transforma os “Backrooms” em um espaço tão perturbador.

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AUTOR

Rapha Ritchie

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