Uma Sombra na Nuvem

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27.04.2021

"Uma Sombra na Nuvem" mistura gêneros, desafia a lógica, mas nunca perde o ritmo

Uma Sombra na Nuvem é um filme de guerra ao mesmo tempo que também é filme de monstros. Ele ainda mergulha em mais um ou dois gêneros antes de terminar, mas a diretora e co-roteirista Roseanne Liang nunca perde o ritmo. É o tipo de filme que faz você rir da ousadia do cineasta e, ao mesmo tempo, ficar grudado na poltrona com o suspense.

Liang e o co-escritor Max Landis, da série Dirk Gently’s, fazem uma profusão de movimentos ousados – colocam sua heroína em um espaço apertado e solitário pela maior parte do longa e limitam sua comunicação com outros personagens a vozes em um canal de rádio – mas no final, Uma Sombra na Nuvem cria o suspense tão bem que os espectadores estarão bastante propensos a tolerar os lapsos de lógica do filme.

No filme, Maude Garrett (Chloë Grace Moretz, de Kick-Ass: Quebrando Tudo), uma mulher piloto de avião na Segunda Guerra Mundial, viaja com um pacote ultrassecreto. Quando ela encontra uma presença maligna no vôo, sua vida ganha novos contornos, precisando ela lutar, também, uma guerra sobrenatural.

Descobrir qual a missão se torna o fio condutor que nos mantém presos a história de Uma Sombra na Nuvem. As coisas começam a acontecer, e o filme entra em um ritmo desenfreado com uma mistura de combate aéreo e animais rastejantes. Liang e o editor Tom Eagles (Jojo Rabbit) mantêm a duração abaixo de 90 minutos, mas ao longo dessa duração trazem emoções suficientes (e momentos ocasionais de suspense de tirar o fôlego).

É uma mistura de gêneros e tanto. Mesmo o maior momento de revelação do roteiro, envolvendo o conteúdo do pacote de Maude, funciona perfeitamente, mesmo que a gente só ouça a respeito e não o veja, porque é uma ponte para alguns dos momentos mais marcantes do filme.

Moretz brilha no filme, dado que o restante do elenco passa a maior parte dele como vozes no rádio. Não que ela já não seja uma ladra de cenas desde que começou a atuar. Ela e o filme, trazem aquela energia turbulenta de filme B, e é um lembrete de que a falta de vergonha narrativa é permitida, até mesmo bem-vinda, nas mãos de um contador de histórias seguro.

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AUTOR

Felipe Fornari

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