Era uma Vez Minha 1ª Vez

(2026) ‧ 1h30

Rapha Ritchie

Teresa, Clara, Tuca e Patty chegam perto da formatura com a impressão de que existe uma série de experiências que já deveriam ter vivido. Entre relacionamentos, inseguranças e expectativas, as quatro fazem um pacto para perder a virgindade antes da grande noite, transformando a primeira vez em mais uma espécie de prazo dentro daquela ansiedade adolescente de sentir que todo mundo está avançando mais rápido.

É um ponto que permite a Era Uma Vez Minha 1ª Vez colocar em discussão assuntos pertinentes para esse público, principalmente pressão coletiva, consentimento, comparação e a diferença entre realmente querer alguma coisa e apenas achar que já passou da hora de querer. O problema é que essa conversa vem envolvida por uma produção tão preocupada em parecer jovem que, muitas vezes, a tentativa de aproximação acaba criando distância.

Isso aparece principalmente na maneira como o longa é montado e encenado. Cortes, interferências visuais e diferentes recursos entram o tempo inteiro para manter a atenção em movimento, até o momento em que a própria edição começa a chamar mais atenção do que aquilo que está acontecendo. A experiência fica cansativa e cria uma estranha indefinição entre longa-metragem, série juvenil condensada e conteúdo pensado a partir da dinâmica das redes sociais.

Também pesa o fato de acompanhar quatro adolescentes brancas e ricas dentro de uma bolha em que boa parte das grandes urgências passa por organizar a formatura, resolver romances e perder a virgindade antes que o colégio termine. Não é uma questão de negar que esse grupo possa sentir insegurança, pressão ou frustração, mas de perceber como o longa trata conflitos bastante protegidos pelo privilégio com uma gravidade que nem sempre encontra sustentação no desenvolvimento. Em vários momentos, parece faltar consciência da própria bolha que está sendo retratada.

As quatro protagonistas ainda carregam histórias e relacionamentos suficientes para vários episódios, mas tudo precisa dividir espaço com amizade, sexualidade e formatura dentro de uma duração curta. Algumas situações passam rápido demais para ganhar peso, enquanto outras recebem uma dramaticidade desproporcional ao que foi construído.

A questão mais interessante está nesse prazo imaginário colocado sobre a adolescência, como se certas experiências precisassem acontecer antes que seja tarde. Só que ter bons assuntos para conversar com adolescentes não significa necessariamente saber como conversar com eles. Entre diálogos pouco naturais, humor irregular e uma linguagem que se esforça demais para parecer atual, a embalagem acaba ocupando o espaço que poderia pertencer às próprias personagens.

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