Besouro Azul

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16.08.2023

"Besouro Azul" é um filme de super-heróis com uma dinâmica familiar autêntica em seu coração (e um escaravelho alienígena em sua espinha).

“Besouro Azul” se destaca no campo cada vez mais superlotado de filmes de super-heróis por sua dinâmica ágil e divertida. Com pouco mais de duas horas, o ritmo desenfreado mantém o espectador vidrado na história e, embora não seja totalmente imprevisível, a história de Jaime Reyes e do senciente escaravelho alienígena que está simbioticamente ligado a ele evita se tornar uma chatice só.

Há os clichês das histórias de origem, é claro. Mas o filme é cheio de ação bem coreografada, e no núcleo familiar no centro do filme é onde “Besouro Azul” transcende as armadilhas de seu gênero.

Xolo Maridueña oferece uma performance refrescante como Jaime. Ele imbui o personagem com uma ingenuidade que faz a gente imergir na preocupação e a incerteza da situação de sua família – e toda a comunidade – enfrentando os estragos da gentrificação na cidade fictícia onde o filme se passa.

A tragédia da história de Jaime não reside em uma perda singular e devastadora ou em uma vida familiar infeliz, mas nas constantes falhas de um sistema econômico no qual ele tentou incansavelmente se destacar. O roteiro critica o chamado “Sonho Americano” enquanto Jaime retorna triunfante com um diploma universitário e esperanças de mobilidade social para sua família, apenas para encontrar um subemprego limpando a mansão da CEO de uma empresa de tecnologia, Victoria Kord (Susan Sarandon).

Dentro deste comentário social, encontra-se uma aventura bastante divertida, calcada no carisma de Maridueña como o herói do título. Para que a família Reyes sirva como âncora emocional para a ascensão de Jaime ao inesperado reino dos super-heróis, eles devem complementar o carisma de Maridueña – e todos e cada um deles o fazem.

Formada pela matriarca de Reyes, Nana (Adriana Barraza), os pais de Jaime (Elpidia Carrillo e Damián Alcázar), seu tio anarquista Rudy (Georger Lopez) e a irreverente irmã caçula Milagro (Belissa Escobedo), a química da família é impressionante. Parece uma família de verdade, altamente afetuosa, ferozmente protetora e propensa a ter conversas animadas uns com os outros, por horas.

E para nós brasileiros, temos a tão falada estreia de Bruna Marquezine no cinema americano. E a gata entrega! Mesmo que sua personagem não seja tão profunda, a atriz faz o que pode com o papel e parece se divertir simplesmente por estar onde está.

Mas e o veredito sobre o filme? Embora os clichês do gênero e a motivação relativamente desinteressante da vilã impeçam um terceiro ato mais criativo, a força emocional por trás do filme é suficiente para fazer valer a pena assistir.

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AUTOR

Felipe Fornari

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