Ragnarok – 3ª Temporada

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14.09.2023

“Ragnarok” começa como uma bela caneca de hidromel e termina como um chá de boldo

Quando a série começou o que me chamou a atenção foi o fato de ser da Noruega e eu gosto muito de séries que não são dos EUA. E o nome, claro, já imaginei o caos, fim do mundo, coisas do tipo e fui assistir sem ver o trailer ou ler a sinopse, só com uma ideia baseada nisso que falei “Noruega e Ragnarok”.

Não foi exatamente o que pensei, mas começou muito bem, excelentes personagens, muito bem desenvolvidos, história bem interessante e ótimas atuações, a primeira temporada passou voando, veio a segunda e ficou ainda melhor, não achei que isso aconteceria, mas aconteceu e foi lindo, tudo que já tinha sido ótimo ficou incrível e a série caminhava para um final épico, enfim o Ragnarok aconteceria ou seria evitado, porém de qualquer forma seria uma batalha colossal.

Pois é, seria. Só que não foi. Não sei o que aconteceu e sinceramente não gostei também, a impressão que deu é que a terceira temporada foi feita por pessoas diferentes e que nem viram as temporadas anteriores, o ritmo que era bom ficou acelerado e os episódios apressados ficaram cheios de rombos no roteiro. Várias cenas ficaram perdidas sem ligação com nada, apenas para tentar justificar uma ou outra, logo no primeiro episódio você já sente que toda a expectativa criada nas temporadas anteriores foi em vão e a coisa caminha para um desastre de proporções épicas.

O que sustenta a terceira temporada é o carisma do elenco, as ótimas atuações. Por eles você continua na esperança de que deem um jeito no que era lindo e ficou bem ruim, ainda tem seus momentos, mas agora eles são poucos.

Cada temporada tem seis episódios e se tivessem encerrado a terceira temporada no episódio cinco eu diria que mesmo com os rombos, o ritmo acelerado e nem parecendo a série que já foi um dia, teriam conseguido salvar a série. O episódio cinco foi ótimo e pronto, era para ter sido o fim, mas não, infelizmente fizeram aquela abominação que foi o episódio seis e com aquele final mequetrefe, preguiçoso, sem vergonha, que permite dupla interpretação e faz você escolher a que mais te agrada porque na verdade ninguém sabia como terminar direito a série ou não tiveram coragem pra isso ou verba ou sei lá, vai ver o final era esse horroroso mesmo.

Enfim, já que ficou aberto para cada um interpretar o final como quiser, eu escolho que a série acabou no episódio cinco e isso me deixa feliz rs

Independente desse final medonho vale muito a pena assistir as três temporadas, é uma série diferente e com tema interessante, muito bem produzida e claro, se gosta de séries europeias vai curtir essa.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

André Bordoni

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