A Noite das Bruxas

(2023) ‧ 1h43

10.09.2023

Kenneth Branagh traz um pouco do sobrenatural para sua série Hercule Poirot

Um prazer para o público adulto, A Noite das Bruxas é mais um filme que vai levar o público de volta aos cinemas, sem o apelo de algum super-herói do momento. Com um elenco um pouco menos repleto de estrelas do que os longas anteriores, a terceira adaptação de Agatha Christie, por Kenneth Branagh, oferece uma experiência cinematográfica que tem o potencial para tirar o público de casa para continuar acompanhando os casos do detetive mais famoso da obra de Agatha Christie.

Branagh, mais uma vez está na dupla função como protagonista e diretor do filme, mas desta vez ancora a aventura no sobrenatural com a teatralidade esperada da franquia, enquanto reviravoltas de um elenco coadjuvante habilmente selecionado vão encaminhando o caso de volta novamente para apenas um mistério de assassinato do nível esperado da autora da obra original.

Logo após os acontecimentos de Morte no Nilo, Poirot se muda para Veneza, onde se aposenta com conforto suficiente para pagar um guarda-costas 24 horas, Vitale Portfoglio (Riccardo Scamarcio), para protegê-lo de possíveis clientes chatos que o abordassem nas ruas. Apesar da insistência de Poirot de que não tem amigos, ele é visitado por um deles: Ariadne Oliver (Tina Fey), uma romancista que fez seu nome ficcionalizando as desventuras do detetive belga. Ariadne convida Poirot para participar de uma sessão espírita na noite de Halloween de uma ex-cantora de ópera, Rowena Drake (Kelly Reilly), que passou a residir em um palácio supostamente assombrado causando, logo após, a morte de sua filha Alicia (Rowan Robinson). Ele concorda relutantemente.

Assim como nos filmes anteriores, o elenco é a chave para o sucesso da história, ainda mais do que a solução (ou soluções) para o mistério. Para o bem ou para o mal, o diretor interpreta um Poirot um pouco menos sexy do que nos longas anteriores. Mas sua visão mais sóbria do personagem nasce naturalmente de suas circunstâncias no início do filme.

E quem melhor do que Tina Fey para interpretar uma sabe-tudo presunçosa e ligeiramente intimidadora, que esconde sua competência questionável por trás de uma fina máscara? Enquanto isso, Michelle Yeoh, recém-ganhadora do Oscar, navega por uma linha tênue entre empatia e charlatanice em seu tempo de tela. Jamie Dornan provavelmente se qualifica como a próxima maior estrela do elenco, e ele se esforça para vender a imagem de boa fé de seu personagem, um cirurgião dos tempos de guerra, e a intensidade de seu desempenho fornecem um bom contraponto à reviravolta dada por Jude Hill, mais uma vez interpretando o filho de Dornan na tela (depois de co-estrelar Belfast, também de Branagh).

Se o caminho de Poirot para voltar a ser detetive, mesmo após a aposentadoria, parece um tanto predeterminado, Branagh explora habilmente o fascínio natural de um bom mistério, tanto na frente quanto atrás das câmeras, para atrair o público para uma brincadeira que é igualmente assustadora e elegante.

No final das contas, A Noite das Bruxas tem alguns sustinhos, quer você goste de se assustar ou não. Mas, acima de tudo, a mais recente adaptação de Branagh, é uma aventura pra lá de satisfatória.

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AUTOR

Felipe Fornari

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