Irmã Morte

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29.10.2023

"Irmã Morte" tenta se destacar, mas acaba sendo só mais um no meio da multidão

Em 2017 era lançado um filme chamado Verônica: Jogo Sobrenatural que por acaso vi na Netflix sem muito destaque, estava sem nada para assistir, gostei da sinopse, era um filme europeu (Espanha) e eu gosto muito de terror europeu então resolvi dar uma chance e esse acabou sendo um dos melhores filmes que vi naquele ano. Quando o filme acabou vi o nome do diretor e tudo fez sentido, Paco Plaza, que já havia nos presenteado com o espetacular [Rec] estava de volta em grande estilo. Verônica foi sensacional do começo ao fim, vejam, vale a pena. Só digo isso porque agora preciso voltar para Irmã Morte.

Irmã Morte é uma personagem importante, misteriosa e um tanto quanto assustadora que esteve em Verônica e agora ganhou o seu próprio filme contando a sua origem. Até aí normal, isso virou febre de uns anos para cá e ficam desmembrando bons filmes explorando todos os personagens que foram bons, alguns deram certo, mas a maioria não.

O que temos aqui é um grande drama, tem um ou outro momento de terror, mas coisa pouca, bem pouca mesmo. A história em si é bem triste, clichê ao extremo e o desenvolvimento do filme acaba deixando muito a desejar porque conseguiu transformar um filme de 1h30 em algo cansativo de assistir. Sem falar que os clichês são tantos, mas tantos que com cinco minutos de filme eu já tinha falado qual seria o final e tudo que aconteceria até chegar nele. Tirando um ou outro detalhe acabei acertando quase tudo, em parte a culpa é minha por assistir muita coisa e em parte do filme que não ousou, apenas se contentou em fazer o que já foi feito centenas de vezes.

Outra coisa que faltou foram personagens interessantes, empatia geral, óbvio que rola aquela empatia automática pela personagem principal da história. Não, não é a Irmã Morte, mas a do mistério que é a chave do filme. Quem não tem empatia em uma situação assim nem é gente, mas fora ela todas as demais personagens estão ali meio perdidas, sem função, apenas esperando a revelação para algumas morrerem e outras terem paz, você não sente conexão com ninguém ali, nem mesmo as crianças.

Não é um filme ruim, mas se fosse para defini-lo em apenas uma palavra, essa palavra seria: Superficial.

Infelizmente é isso que o filme acabou sendo, raso, superficial e até preguiçoso em alguns momentos. E eu nem digo isso jogando o peso de Verônica em cima dele, porque mesmo que quem vá assistir esse não tenha visto Verônica não acho que vão amar Irmã Morte.

Esperava mais, muito mais, não foi dessa vez Paco, mas você tem crédito de sobra.

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AUTOR

André Bordoni

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