Rodeio

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15.01.2024

“Rodeio”: Uma história ruim filmada de forma bonita

Aqui vão algumas informações rápidas sobre o filme:

  1. O filme é um Road Movie canadense.
  2. Foi dirigido por Joëlle Desjardins Paquette.
  3. Rodéo tem uma estética realista que tenta mostrar a realidade como ela é.
  4. Toca em assuntos sensíveis, como pais separados que são impedidos de verem os filhos.
  5. A fotografia é MARAVILHOSA! Mas fica por aí, infelizmente.

QUAL A HISTÓRIA DE “RODEIO”? CONFIRA AQUI A SINOPSE OFICIAL

Após uma violenta separação, Serge Jr. Leva a filha Lily de 9 anos para fazer uma viagem de caminhão pelo Canadá. Dirigem-se à Alberta e ao tradicional Rodeio do Melhor Caminhão Mundial de Badlands, uma corrida com a qual tanto ele quanto Lily sonhavam. No caminho, sob o olhar cada vez mais apreensivo da filha, Serge precisará enfrentar as consequências das suas ações. Um road movie amargo e poético que aprofunda o mistério das relações entre pai e filha.

CINEMA CANADENSE É IGUAL AO AMERICANO?

Ao assistir Rodeio eu fiquei com uma “sensação mais amarga” do que geralmente fico quando assisto um filme independente feito nos Estados Unidos. Se pararmos para analisar, o cinema americano, mesmo o independente, possui certas características que o define muito bem. Afinal, estamos falando do país que inventou a indústria cinematográfica como nós conhecemos hoje. Muito dos realizadores saem das escolas de cinema muito bem doutrinados nas técnicas do que funciona ou não funciona. O Canadá, como a maioria deve pensar, não é uma extensão do cinema americano. Da mesma forma que o cinema argentino não é uma extensão do brasileiro (ou o contrário).

Cada país possui suas características essenciais, mesmo com filmes bem diversos um do outro. Enquanto os Estados Unidos se empenharam em construir narrativas cada vez mais artificiais, o Canadá procurou desenvolver sua própria voz criativa. Os canadenses, em especial o cinema de Québec, gosta de narrativas diretas e produções mais “artesanais” (ou que conseguem passar uma ideia de naturalismo).

Rodeio usa bastante luz natural, que para os americanos não é uma opção muito interessante, já que estão engessados em um desenho de produção comercial. No longa, fica claro observar um cinema que se desenvolveu do documentário. As linguagens são parecidas. A camera inquieta adiciona tensão, os diálogos são reais e a edição tenta ao máximo estruturar uma narrativa fluída com a história.

PERSONAGENS CLICHÊS OU ARQUÉTIPOS UNIVERSAIS?

Essa é uma pergunta que sempre me faço quando encontro um personagem que já vi em outras centenas de filmes. O personagem de Serge, o pai, é o clássico pai ausente, com pouca educação, com dificuldade de comunicar suas emoções, mas que tem bom coração. Sylvester Stallone fez um pai separado com essas mesmas características, que viaja com o filho em um caminhão no filme Falcão – O Campeão dos Campeões de 1987.

Obviamente que são histórias diferentes, mas o personagem está ali. Falar de clichê é falar de estereótipos, o que é diferente de falar de arquétipos. Estereótipos são mais rasos, geralmente fundamentados em ideias ou conceitos presentes no senso comum. Arquétipos representam características mais profundas e enraizadas, como o arquétipo do pai, mãe, do herói ou do mentor.

Sinceramente não sei se o personagem de Serge é uma representação do que é ser um “pure laine” canadense ou apenas um clichê de um pai que é motorista de caminhão. Infelizmente temos a sensação de já ter visto esse filme em outros filmes por aí.

“RODEIO” PODERIA SER UM FILME BRASILEIRO

Com algumas adaptações, Rodeio tem uma história que se conecta com a nossa cultura. A ideia de assistir um filme internacional me traz a vontade de conhecer outras culturas. De fato, é evidente a cultura de Quebec e da região presente ali no filme. Mas a escolha pela história diluiu muito o que poderia ser uma ótima oportunidade de mostrar ao mundo algo único.

VALE A PENA VER?

O filme tem uma direção de fotografia maravilhosa. Está entre os melhores no quesito qualidade de imagem e som entre os selecionados para o My French Film Festival de 2024. Entretanto, os atores não conseguiram passar uma química necessária para a história. Faltou um pouco de suavidade nas interpretações, especialmente na personagem da filha. Enquanto a ambientação era bem naturalista, o roteiro e os diálogos eram bem forçados para funcionar. É um filme bonito de se ver, mas que acrescenta pouco.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Viní­cius Gratão

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