Casa Izabel

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24.06.2024

"Casa Izabel": Um retrato de dualidades e segredos em busca de liberdade

Casa Izabel é mais uma parceria com direção de Gil Baroni e roteiro de Luiz Bertazo, ambos também responsáveis pelo premiado Alice Júnior. O filme apresenta um enredo interessante e de grande potencial, mas enfrenta alguns desafios ao longo do desenvolvimento.

Tendo um início bem interessante, conhecemos a propriedade que dá nome ao filme, acompanhando a chegada de um de seus personagens, Rivelino/Regina (Andrei Moscheto), para o que parece ser um final de semana de retiro. Ele é prontamente apresentado às regras e formas de convivência nesse recinto através da recepção de Dália (Fernanda Haddad). Porém, quem detalha como se envolver com o local e ser uma dama é Leila/Vitor (Jorge Neto), cuja performance corporal é excepcional. Ele utiliza gestos e expressões faciais de maneira magistral, merecendo diálogos mais potentes para complementar sua atuação. O intérprete da personagem Regina também merece elogios por sua expressividade teatral. A simples troca de figurino revela sua habilidade em incorporar a personagem apenas com o olhar e o semblante.

O elenco é competente e consegue transmitir a complexidade dos personagens. Em particular, é notável a situação dos homens que se transvestem em segredo para se sentirem livres e criarem personagens femininas. Em certos momentos, o filme provoca empatia pelas dificuldades que esses homens enfrentam, mas em outros, sugere que eles jamais teriam a coragem de assumir seus desejos publicamente. Permanecem, assim, presos a papéis fetichistas, enquanto mantêm personalidades conservadoras e preconceituosas.

Um detalhe um pouco desconfortável na trama é que a história é marcada por diálogos excessivamente detalhados, lembrando em alguns momentos aquelas novelas das 18h escritas por Walcyr Carrasco. Esses diálogos acabam sendo expositivos demais e limitam a liberdade imaginativa do público.

A história dos protagonistas poderia ser mais desenvolvida. Faltam argumentos, afinal eles parecem ter muito a dizer e muitas camadas a explorar. Uma vingança e um desejo de liberdade mais bem construídos e detalhados teriam enriquecido a narrativa.

O final do filme é intenso, mas parece surgir de forma abrupta, deixando partes da história e alguns personagens sem uma conclusão adequada. Isso pode ter sido intencional, refletindo a imprevisibilidade da vida real, onde muitas questões ficam sem resposta

Em suma, Casa Izabel é um bom filme que, no entanto, deixa a sensação de que poderia ter alcançado algo a mais.

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AUTOR

Tina Santos

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