A Fonte da Juventude

(2025) ‧ 2h05

20.05.2025

“A Fonte da Juventude”: Nada novo sob o sol (nem sob a fonte)

A Fonte da Juventude tenta unir duas fórmulas consagradas: a das aventuras arqueológicas em busca de artefatos místicos e a dos dramas familiares com toques de comédia. O problema é que a mistura, conduzida por Guy Ritchie, não resulta nem em adrenalina nem em emoção. O filme é grandioso em cenário, mas pequeno em propósito, tropeçando em clichês e em um roteiro que parece costurado com referências a outras obras mais interessantes.

John Krasinski faz o possível como Luke Purdue, um explorador com pretensões de Indiana Jones, mas que mais parece um turista em excursão de luxo. Acompanhado pela irmã Charlotte (Natalie Portman, claramente entregando mais do que o material exige), ele segue pistas escondidas em obras de arte clássicas para encontrar a mítica fonte da juventude. O plano é ousado, o elenco é afiado, mas tudo soa como uma colagem de ideias já gastas – Indiana Jones, O Código Da Vinci, Missão: Impossível e até pitadas de Sherlock Holmes (do próprio Ritchie) estão aqui, só que sem a alma.

É especialmente frustrante ver Natalie Portman em um papel que tinha potencial, mas que se resume a dar lições de moral no irmão e eventualmente ceder à “aventura” sem muito convencimento. Charlotte é a consciência da história, mas também uma personagem à deriva, deslocada entre as corridas e tiroteios que dominam a narrativa. E a tentativa de criar tensão entre ela e Luke mais cansa do que acrescenta – até porque o protagonista se comporta como um narcisista inconsequente.

O roteiro tenta incluir subtramas com vilões ambíguos, dilemas éticos e traições previsíveis, mas tudo soa artificial. Domhnall Gleeson até se diverte como o bilionário decadente financiador da jornada, mas seus momentos cômicos destoam do resto, e parecem pertencer a outro filme. O mesmo vale para o inspetor vivido por Arian Moayed, cuja melhor fala (sobre seu terno) é um eco direto de um filme anterior de Ritchie – o que diz muito sobre a falta de originalidade aqui.

Do ponto de vista visual, A Fonte da Juventude entrega belos cartões-postais – há passagens por Bangkok, Viena e Cairo –, mas o espetáculo é vazio. As perseguições são genéricas, as lutas coreografadas com precisão mas sem impacto emocional. É como se estivéssemos vendo um trailer estendido de um filme melhor, onde nada realmente importa e tudo pode ser resolvido com um spray paralisante ou um discurso empolgado sobre aventura.

A mitologia da tal fonte é tratada com uma superficialidade que beira o desinteresse. Não há peso simbólico, nem misticismo real, nem senso de descoberta. Tudo gira em torno de pistas visuais em obras de arte famosas, uma ideia promissora que se perde em meio à correria sem propósito. Até mesmo a relação dos personagens com o pai, o verdadeiro motor emocional da busca, é explorada de maneira rasa e mecânica.

No fim, A Fonte da Juventude é um desses filmes que parecem ter sido feitos por algoritmo: elenco renomado, locações exóticas, premissas conhecidas e nenhuma centelha de novidade. Enquanto os primeiros Indiana Jones ainda fazem nossos olhos brilhar, esta nova tentativa de ressuscitar a fórmula só nos faz desejar que algumas histórias permaneçam, de fato, perdidas para sempre.

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AUTOR

Felipe Fornari

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