Rua do Medo: Rainha do Baile

(2025) ‧ 1h30

“Rua do Medo: Rainha do Baile” é o primo deslocado da franquia que ninguém queria convidar

Melissa Correa

A música toca alto no salão decorado com papel crepom e purpurina. As garotas desfilam com vestidos bufantes, sorrisos falsos e olhares venenosos. A câmera se aproxima da coroa da Rainha do Baile, reluzente, pronta para ser o centro das atenções. Pena que o filme ao redor dela não tem absolutamente nada a dizer.

Rua do Medo: Rainha do Baile, nova tentativa da Netflix de manter a chama acesa em Shadyside, é mais fria do que a alma de quem escreveu esse roteiro. Ambientado em 1988, o longa tenta emular o charme dos slasher clássicos e o clima de pânico adolescente dos filmes anteriores, mas o que entrega é uma sequência de sustos reciclados, personagens sem carisma e cenas de morte que fariam até o Fred do Scooby-Doo revirar os olhos.

A direção de Matt Palmer até tenta ser estilosa, mas tropeça em cada clichê do gênero com a sutileza de um salto alto no asfalto molhado. A trama gira em torno de uma competição por uma coroa de baile, com adolescentes que parecem saídos de um comercial de spray de cabelo dos anos 1980 — e com a profundidade emocional de um cartão de Dia dos Namorados comprado na última hora.

India Fowler até tenta dar alguma dignidade à protagonista, mas é sabotada por um roteiro que não sabe se quer ser piada ou ameaça. O elenco, no geral, entrega atuações que variam entre o “estou aqui por obrigação” e o “será que já acabou a diária?”

As cenas de morte, que deveriam ser o grande espetáculo — afinal, a franquia é conhecida pelo gore criativo e impactante —, parecem feitas com pressa e zero imaginação. Tem sangue, claro. Mas é aquele sangue genérico, digital demais, sem peso, sem consequência. Tipo ketchup aguado jogado na parede branca da mediocridade.

A trilha sonora até tenta salvar a noite, com faixas retrô que tocam como DJ tentando manter o clima animado enquanto o salão esvazia. Mas nem isso consegue mascarar o principal problema: Rainha do Baile é vazio. Sem alma, sem propósito, sem o mínimo de respeito pelo legado da trilogia original.

No fim das contas, a única maldição real aqui foi o tempo perdido. E olha, se dependesse de mim, deixava geral trancado no ginásio, com o killer solto — só pra ver se alguma coisa finalmente acontecia.

Netflix, amor… você podia ter dormido sem essa.

E nós, que amávamos Shadyside, ficamos com aquela sensação amarga de que a franquia virou refém do próprio sucesso. Que venha a próxima tentativa — mas dessa vez, com história, coragem e um mínimo de personalidade. Porque só glitter e sangue digital não seguram uma maldição.

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