O Clube do Crime das Quintas-Feiras

(2025) ‧ 1h58

24.08.2025

Mistério e charme em "O Clube do Crime das Quintas-Feiras"

Há algo de extremamente prazeroso em assistir a O Clube do Crime das Quintas-Feiras. Dirigido por Chris Columbus, o longa adapta o best-seller de Richard Osman e entrega exatamente aquilo que promete: uma mistura envolvente de humor, mistério e o charme tipicamente britânico, embalado por um elenco de veteranos que parecem se divertir fazendo a produção tanto quanto o público vai se divertir assistindo-a.

A história acompanha Elizabeth (Helen Mirren), Ron (Pierce Brosnan), Ibrahim (Ben Kingsley) e Joyce (Celia Imrie), quatro aposentados que vivem em um luxuoso e improvável asilo chamado Cooper’s Chase. Entre aulas de desenho, jardins impecáveis e uma atmosfera que mais parece saída de Downton Abbey, eles encontram um passatempo peculiar: resolver crimes arquivados. O que começa como diversão logo se transforma em uma investigação real quando um assassinato acontece bem diante de seus olhos.

É a partir daí que o filme encontra sua força. Columbus constrói uma verdadeira comédia britânica (a experiência com Harry Potter pode ter ajudado): policiais atrapalhados, muitas fatias de bolo, um desfile de personagens excêntricos e, claro, um grande clímax com a explicação detalhada dos crimes. Aliás, não apenas um crime, mas três, em um roteiro que sabe brincar com a lógica do whodunit sem nunca perder a leveza.

O elenco é, sem dúvidas, o grande trunfo. Helen Mirren domina as cenas como Elizabeth, uma ex-espiã que usa carisma e manipulação como armas. Pierce Brosnan e Ben Kingsley brilham ao equilibrar humor e vulnerabilidade, enquanto Celia Imrie empresta doçura e sagacidade à recém-chegada Joyce. Até participações menores, como David Tennant e Richard E. Grant, reforçam o clima de espetáculo coletivo.

Apesar do tom leve, o filme insere reflexões sobre envelhecer, mesmo que de maneira simplificada em relação ao livro. Há momentos de ternura e melancolia que lembram produções como O Exótico Hotel Marigold, mas sem perder o ritmo ágil do mistério policial. É uma obra que prefere exaltar a vitalidade de seus protagonistas, mostrando como ainda podem dar um baile em todos ao redor.

Visualmente, a produção aposta em uma estética aconchegante, com cores quentes e cenários cuidadosamente construídos para transmitir conforto. A trilha de Thomas Newman reforça o tom sentimental, mesmo quando o roteiro escorrega para um excesso de doçura nos minutos finais. Ainda assim, a boa vontade conquistada ao longo da narrativa sustenta o desfecho.

No fim, O Clube do Crime das Quintas-Feira se revela uma celebração da vida, da amizade e do prazer de resolver enigmas — sejam eles policiais ou existenciais. É um filme que diverte, emociona e lembra o valor do trabalho em equipe, mostrando que, com humor e inteligência, até os mais improváveis detetives podem ser os heróis da vez.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

OUTRAS CRÍTICAS

Longe do Paraíso

Longe do Paraíso

Em Longe do Paraíso, Todd Haynes faz muito mais do que uma homenagem aos melodramas clássicos de Douglas Sirk. Ele mergulha de cabeça na estética e na linguagem do cinema dos anos 1950 para revelar, com sensibilidade e rigor, as rachaduras de uma sociedade fundada na...

Kill Bill: Volume 1

Kill Bill: Volume 1

Kill Bill: Volume 1 é, antes de tudo, uma explosão de estilo. Quentin Tarantino, seis anos após Jackie Brown, volta ao cinema com um projeto ambicioso, violento e visualmente deslumbrante — mas que chega aos cinemas em fatias. Dividido em duas partes por decisão do...

Uma Batalha Após a Outra

Uma Batalha Após a Outra

Uma Batalha Após a Outra é uma produção que desafia classificações simples. Paul Thomas Anderson adapta Vineland, romance de Thomas Pynchon, mas faz disso muito mais do que uma transposição literária: cria um híbrido entre sátira política, drama e ação. O resultado é...