Desenhos, dirigido por Seth Worley, é simplesmente fenomenal em sua proposta como uma aventura familiar que equilibra bem humor, emoção e elementos de fantasia. Lançado como a estreia de Worley em longas-metragens, o filme até pode ser comparado a obras clássicas de Steven Spielberg dos anos 1980 e 1990, como E.T.: O Extraterrestre e Jurassic Park, e também a filmes recentes como Divertida Mente.
A história segue uma família que lida com o luto após a perda da mãe. A filha mais nova, Amber, canaliza sua tristeza e raiva em desenhos de monstros grotescos. Quando seu caderno de esboços cai em um lago mágico, as criaturas ganham vida.
Vale destacar a forma como o filme aborda o tema do luto de maneira sensível e acessível para crianças e adultos, mostrando que a arte pode ser uma forma saudável de processar emoções difíceis.

O filme consegue misturar diferentes tons com sucesso, sendo engraçado, emocionante e assustador na medida certa para o público PG (livre para todos os públicos com recomendação para orientação dos pais nos EUA). As cenas de suspense com os monstros desenhados à mão, que são ao mesmo tempo assustadores e fofos (alguns até cospem glitter), são interessantes por refletirem a mente de uma criança.
Tony Hale, no papel do pai, manda bem na performance, que é ao mesmo tempo dramática e sutilmente cômica. No entanto, os jovens atores Bianca Belle (Amber) e Kue Lawrence (Jack) são os verdadeiros destaques, com atuações autênticas e maduras que sustentam o coração emocional do filme.
Seth Worley, que também escreveu e editou o filme, é reconhecido por sua habilidade em criar uma narrativa coesa e envolvente. O roteiro é inteligente, com diálogos afiados e um ritmo que nós mantém engajados. A direção de arte e os efeitos visuais, que dão vida aos desenhos de Amber são bem sucedidos na sua abordagem “tátil” e criativa.
Os designs das criaturas são super inventivos, totalmente originais e profundamente perturbadores, mantendo a aparência de rabiscos feitos com giz de cera, com ideias executadas de forma brilhantemente criativa e cheia de energia, diferenciando-se de outras produções com temas semelhantes.

Desenhos é genuinamente assustador, mas ao mesmo tempo enormemente divertido e charmoso. Essa capacidade de equilibrar múltiplos gêneros e tons é um grande trunfo de Worley, permitindo que o filme atraia tanto o público adulto quanto o mais jovem.
Um dos aspectos mais fortes do filme é a sua abordagem do luto. O filme utiliza os desenhos da personagem principal como uma metáfora para lidar com a dor e a raiva. A maneira como Worley explora a importância de expressar emoções complexas através da arte, tornando a narrativa profundamente comovente e “não piegas”, é genial.
Em resumo, Desenhos é uma estreia sólida e promissora para Seth Worley, sendo um filme caloroso, original e cativante que consegue ser tanto nostálgico quanto moderno, oferecendo uma mensagem poderosa sobre o poder da imaginação e a importância de lidar com as emoções de forma genuína. Um dos melhores do ano até agora!







