Poderia uma coelha e uma raposa darem certo? Essa é a principal questão que Zootopia 2 tenta responder ao longo da nova jornada de Judy Hopps e Nick Wilde. A trama gira em torno de um novo e perigoso mistério que desafia a dupla de policiais. A missão os leva a novas e inesperadas partes de Zootopia, como pântanos e dunas do deserto, onde a crescente parceria é testada como nunca antes.
Quase 10 anos após o lançamento do primeiro filme, a continuação parte praticamente do final dos eventos com a prisão Dawn Bellwether. Aqui, a trama coloca Judy e Nick em uma crise de relacionamento enquanto tentam descobrir a verdade sobre o Diário dos Lynxley, a chave para as Torres Climatizadoras da cidade, roubada por uma cobra, espécie que não aparece na cidade há praticamente 100 anos. Juntos, os parceiros em crise precisam correr contra o tempo e descobrir novas áreas selvagens de Zootopia e provar para todos que fazem uma bela dupla. A estrutura narrativa de investigação é repetida, mas agora com um novo leque de exploração, já que o subúrbio e o centro de Zootopia não são o bastante.
Enquanto o foco central do primeiro Zootopia era a linha tênue de manter a paz na cidade entre carnívoros e herbívoros, a sequência se preocupa mais em mostrar aos espectadores novas áreas não exploradas da animação anterior enquanto tenta explorar o preconceito da cidade em relação a répteis e, principalmente, cobras.

Cobras não são vistas há 100 anos da cidade de Zootopia após uma delas morder (e matar) uma tartaruga. Passado esse tempo, uma cobra aparece para roubar o famoso Diário de Lynxley e causa um reboliço na cidade, mas, diferente da trama do primeiro filme em que havia um constante medo entre carnívoros e herbívoros, a suposta aparição de uma cobra e sua ameaça na sociedade não são tão explorados. Na verdade, a trama tenta seguir uma história padrão de crime, focando somente em como Judy e Nick tentam resolver o caso mesmo com pensamentos tão diferentes. Até quando Gary, A Cobra, aparece, espera-se que essa discussão ganhe mais camadas, mas mesmo após a conclusão do filme, os habitantes de Zootopia apenas aceitam que cobras agora são parte da sociedade, sem ter tido, pelo menos, algum medo em torno da reintrodução do animal igual ao primeiro filme.
A continuação expande o universo de Zootopia, trazendo uma trama de investigação com muita aventura e humor, e aprofundando a parceria entre Judy e Nick. A sequência melhora a fórmula do primeiro, sendo maior em escala, com mais ação e explorando novos cenários de Zootopia. É evidente que a parte técnica evoluiu absurdamente (a cena com a dupla molhada é impressionante), o que permite uma infinidade de personagens em tela, além de uma velocidade nas cenas de ação que torna a aventura algo muito mais intenso do que no primeiro filme. Nesse ponto, a sequência supera por muito o filme anterior, pois decide diminuir o bate-papo investigativo por perseguições e quase uma “volta ao mundo” por Zootopia. A boa notícia é que, mesmo sendo maior, não há perda no que fez o filme ganhar força após uma década: o carisma dos personagens, especialmente a dupla protagonista.
É o tipo de animação que lembra clássicos da Disney, em que o texto tem mensagens para crianças, piscadinhas para adultos e momentos memoráveis para qualquer um deles. É recheado de referências ao cinema, à cultura pop e até à geopolítica, sem nunca deixar de ser sobre uma coelhinha e uma raposa se entendendo como pessoas diferentes em um mundo naturalmente cruel, ainda que inegavelmente adorável.

Explorando novas áreas e mistérios da cidade de Zootopia, a animação mantém o gênero de comédia policial (“buddy cop”) com o ritmo rápido da dupla Judy Hopps e Nick Wilde. O humor é mais afiado e recheado de trocadilhos com animais e introduz o misterioso réptil Gary De’Snake, dublado por Ke Huy Quan na versão original e Danton Mello na brasileira. O elenco brasileiro de Zootopia 2 ainda traz de volta os protagonistas amados e adicionam grandes nomes para os novos personagens.
Em resumo, é uma sequência inteligente e divertida que eleva o nível técnico, aumenta a escala e aprofunda o relacionamento dos protagonistas. O filme é absolutamente incrível, engraçado e extremamente emocionante, mantendo o humor afiado e a sinceridade do original. Gary, A Cobra simplesmente rouba a cena. Tão divertido quanto o original, ou até melhor!








