D.P.A.: Detetives do Prédio Azul – O Filme

(2017) ‧ 1h23

20.07.2017

"D.P.A.: Detetives do Prédio Azul - O Filme": O mistério continua

Com a energia e a imaginação que conquistaram uma geração, D.P.A.: Detetives do Prédio Azul – O Filme leva para o cinema o universo mágico e investigativo criado na TV. A transição para as telonas busca ampliar a escala da aventura, com mais efeitos, cenários e personagens, sem perder o tom leve e curioso que tornou os detetives tão queridos. O resultado é uma produção simpática, visualmente caprichada e fiel ao espírito da série — ainda que tropece em alguns momentos de excessos narrativos.

A trama acompanha Pippo, Sol e Bento diante de sua missão mais urgente: impedir que o prédio onde vivem seja demolido. O trio mergulha em um caso que envolve feitiços, bruxas e um quadro falante desaparecido, em uma sequência de eventos que mistura mistério e humor com ritmo ágil. O retorno dos detetives originais dá um toque de nostalgia, unindo gerações de fãs em torno de uma nova investigação repleta de referências e cores vibrantes.

Visualmente, o filme impressiona. Os figurinos e os cenários dialogam com o universo mágico de forma divertida e criativa, especialmente nas cenas da festa de bruxos. Há um cuidado evidente com os efeitos especiais, que, embora simples, são bem aplicados dentro da proposta da narrativa. Esse apuro estético ajuda a sustentar o encantamento, fazendo com que a aventura ganhe contornos de fantasia sem jamais perder a identidade brasileira.

Entretanto, D.P.A.: Detetives do Prédio Azul – O Filme não escapa de certos cacoetes televisivos. O didatismo é constante, com explicações redundantes e falas que soam forçadas, como se temessem não serem compreendidas pelo público infantil. Essa escolha acaba tornando a experiência menos envolvente para espectadores mais velhos, que podem sentir falta de sutileza. Além disso, há um problema de ritmo — enquanto algumas cenas se alongam demais, outras parecem apressadas, o que enfraquece um pouco o mistério.

Outro ponto que incomoda é a forma como algumas relações são retratadas. A dinâmica entre as crianças e o zelador Severino, por exemplo, carrega tons problemáticos de hierarquia e obediência que poderiam ter sido melhor trabalhados, especialmente num filme voltado ao público jovem. Embora a intenção seja inocente, a representação acaba reforçando estereótipos sociais ultrapassados.

Ainda assim, é impossível ignorar o carisma do elenco e o comprometimento dos realizadores em entregar algo à altura do imaginário das crianças. Tamara Taxman, como a bruxa Leocádia, é novamente o destaque absoluto, equilibrando vilania e humor com precisão cênica. A presença dos adultos e a interação entre gerações tornam o filme mais divertido, mantendo o tom de brincadeira e descoberta que sempre definiu a série.

No fim, D.P.A.: Detetives do Prédio Azul – O Filme é um passatempo honesto e bem produzido, que cumpre seu papel de entreter sem maiores ambições. É colorido, vibrante e cheio de boas intenções — ainda que um tanto preso às fórmulas que o originaram. Um caso resolvido com competência, mas sem grandes surpresas.

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AUTOR

Felipe Fornari

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