Soldado de Chumbo

(2025) ‧ 1h26

22.11.2025

"Soldado de Chumbo": Guerra sem glória

Soldado de Chumbo tenta ser um thriller sobre trauma, lealdade e manipulação, mas logo fica evidente que há pouco a ser resgatado de um projeto tão caótico. A premissa até sugere um mergulho interessante no passado obscuro de Nash Cavanaugh, mas a execução tropeça desde os primeiros minutos, transformando o que poderia ser um estudo sobre cultos e vulnerabilidade em um exercício confuso e desprovido de impacto.

O roteiro se perde rapidamente ao tentar equilibrar ação, crítica social e drama psicológico, sem jamais encontrar um ponto de estabilidade. Entre cenas desconexas e diálogos artificiais, fica difícil se importar com Nash ou entender o que realmente move o personagem — não por falta de material dramático, mas pela incapacidade do filme de organizá-lo de forma coerente.

A presença de Robert De Niro e Jamie Foxx, dois atores capazes de carregar narrativas inteiras nas costas, só torna tudo mais estranho. Ambos parecem deslocados em um universo que não sabe o que fazer com o talento que tem em mãos. Foxx até esboça um líder carismático e ameaçador, mas o filme nunca lhe dá profundidade; já De Niro transita em piloto automático, entregando um desempenho funcional, porém vazio.

Quando Nash retorna ao terreno do culto, o filme se entrega por completo ao delírio: flashbacks, alucinações e cortes bruscos se acumulam sem ritmo ou propósito, como se cada sequência fosse concebida em um filme diferente. A fronteira entre realidade e fantasia deveria ser um recurso narrativo, mas aqui apenas reforça o quanto a produção parece truncada e perdida no próprio conceito.

A direção, por sua vez, aposta em uma estética pesada e nebulosa que não favorece a ação nem a atmosfera. O resultado são cenas de combate pouco inspiradas, filmadas sem clareza, e momentos dramáticos que se dissolvem antes mesmo de gerar qualquer comoção. A montagem, acelerada e fragmentada, só intensifica a sensação de que algo deu muito errado ao longo do processo.

Mesmo com apenas 75 minutos, Soldado de Chumbo parece muito mais longo do que realmente é. A narrativa emperra, repete ideias, retorna a pontos que não levam a lugar nenhum e ainda entrega um clímax que beira o involuntariamente cômico — um confronto final que parece filmado às pressas, com efeitos visuais que enfraquecem qualquer tentativa de tensão.

No fim, o filme falha como ação, como drama e como crítica, restando apenas o desconforto de ver um elenco talentoso preso em um projeto incapaz de sustentar suas próprias ambições. Soldado de Chumbo é um daqueles casos raros em que o conceito, a equipe e o potencial estavam todos lá — menos o filme que deveria existir a partir disso.

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AUTOR

Felipe Fornari

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