Para Sempre Medo

(2025) ‧ 1h39

11.02.2026

O pavor que nunca vai embora: Um pesadelo psicológico em combustão lenta

Para Sempre Medo é um filme de terror folclórico dirigido por Osgood Perkins dos excelentes Longlegs – Vínculo Mortal e O Macaco, e escrito por Nick Lepard. O filme é estrelado por Tatiana Maslany , Rossif Sutherland , Birkett Turton e Eden Weiss.

A trama acompanha Liz (Tatiana Maslany) e Malcolm (Rossif Sutherland), um casal em uma viagem romântica para uma cabana isolada. Quando Malcolm precisa voltar à cidade, Liz fica sozinha e passa a ser atormentada por forças malignas e segredos obscuros do local, enfrentando um pesadelo crescente.

A atuação de Tatiana Maslany é o ponto, pois ela carrega o filme nas costas, transmitindo o terror psicológico de forma visceral e convincente. Como é comum nos filmes de Perkins, a estética é impecável. O uso de enquadramentos claustrofóbicos e uma atmosfera de sonho (ou pesadelo) constante cria um desconforto genuíno.

A obra se posiciona como um mergulho psicológico no trauma residual. Diferente de muitos filmes de terror que apostam apenas em sustos repentinos, este título foca na sensação de pavor constante e na ideia de que o passado nunca nos deixa verdadeiramente.

A cinematografia usa cores frias e espaços claustrofóbicos para garantir que o espectador nunca se sinta seguro. O elenco entrega uma performance crua, focada no esgotamento emocional, o que eleva o roteiro para além do clichê. O design de som é um dos pilares da obra, onde o silêncio é usado como uma ferramenta de tortura psicológica antes de clímax intensos.

No entanto, o ponto fraco é a lentidão da narrativa. O filme é como um slow-burn extremo, onde pouco acontece de fato até o terço final, o que pode frustrar quem busca um terror de sustos rápidos. O roteiro de Nick Lepard evita dar respostas claras com ambiguidade e as metáforas sobre masculinidade tóxica e relacionamentos, já o final é confuso, sem orçamento ou apressado.

Resumindo, Para Sempre Medo é um filme “ame ou odeie”. Se você gostou de Longlegs ou A Enviada do Mal, provavelmente apreciará a construção de clima, mas se prefere histórias com conclusões fechadas, pode sair decepcionado. O final não entrega todas as respostas de bandeja, o que pode frustrar quem prefere conclusões definitivas e explicativas.

Concluindo, o longa é mais uma coleção de momentos perturbadores do que uma história totalmente coesa. Para Sempre Medo é muito inacabado para ter muita longevidade, apesar da atuação dedicada de Tatiana Maslany. Para quem busca ação frenética, ele exige paciência para construir a tensão.

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AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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