Não podemos negar que o sobrenome ROMERO figura entre a aristocracia do cinema de terror mundial. Para quem não sabe, George A. Romero foi o cineasta que deu o tom moderno aos zumbis, da mesma forma que Bela Lugosi fez com o Drácula em 1931. A Noite dos Mortos Vivos, de 1968, hoje é considerado o pai de todos os filmes de zumbis como conhecemos. A genialidade de Romero foi utilizar um apocalipse de mortos vivos para criticar o sistema social de sua época. Durante a faculdade de cinema eu enchia a boca pra dizer que um dos meus mestres era Romero, assim como dizia de Pasolini e Jodorowsky. Digamos que eu sempre tive um apelo forte pelas metáforas visuais.
E imaginem minha surpresa ao saber que a filha de Romero estava debutando do mesmo jeito que o pai! Mas parou por aí. A nepobaby Tina Romero deveria ter se empenhado mais, já que sabia que seria comparada com a lenda viva de seu pai. Ela não só assume a herança estética (o que é bom, porque não seria uma artista se fizesse isso), mas enfia glitter em tudo!
A história é quase integralmente ambientada em um clube de drag no Brooklyn. O longa acompanha um grupo de trabalhadores da noite que vê a rotina desmoronar quando zumbis começam aparecer em Nova York. A premissa é interessante, mas não é bem executada. Um Drink no Inferno, de 1996, com Antonio Bandeiras mostrou algo parecido com vampiros, mas ali a ideia funcionava bem.

Mesmo optando por um um tom satírico, Tina não explica a origem do surto e prioriza a convivência entre personagens. Da mesma forma que seu pai fez em seu primeiro filme. Nesse sentido, o filme funciona melhor como uma história de sobrevivência cheia de figurinos queer e cenografia neon. As atuações são interessantes e não posso reclamar de carisma.
Infelizmente é no roteiro que o filme desanda. Conflitos emocionais começam e terminam do nada sem aprofundamento. A ameaça Zumbi não parece ser uma ameaça real. A sensação de risco não existe. A fotografia, pelo contrário, é muito boa. Mas nem ela conseguiu salvar o filme. Queens of the Dead se vende como comédia e terror, e não entrega nenhum dos dois. Infelizmente.
Também não posso dizer que Tina inventou a roda ao unir gays com mortos vivos. Bruce LaBruce fez isso melhor em 2008. E diferente do filme de Tina, “Otto; or, Up with Dead People” é ao mesmo tempo bizarro quanto satírico (e muito bizarro).

No fim, Queens of the Dead funciona menos como terror ou comédia e mais como uma experiência estética. O que para mim já me agrada, porque já que sou fã de Jodorowsky, então posso assumir que tenho uma queda pelo que é esteticamente controverso.
Eu não sei se recomendo o filme ou não. Tenho minhas dúvidas. Porque ao mesmo tempo que eu gostei eu também não amei. Pela experiência artística e pela plasticidade da fotografia eu recomendo. O filme beira entre o Camp e o Kitsh, mas pela história eu digo para você ficar longe.








