O Jogo do Predador

(2026) ‧ 1h36

17.04.2026

Na mira da selva: Sobreviver também é um jogo

O Jogo do Predador é um thriller de sobrevivência da Netflix, estrelado por Charlize Theron, Taron Egerton e Eric Bana. A trama acompanha uma alpinista que, após o luto, enfrenta um jogo mortal de caça e sobrevivência na selva australiana. O filme é dirigido por Baltasar Kormákur.

O longa mistura ação frenética com suspense psicológico e a luta contra a natureza, lembrando outros trabalhos do diretor como A Fera.

A trama acompanha Sasha (Charlize Theron), uma alpinista profissional que viaja para os desertos e cânions da Austrália para lidar com o luto após a morte trágica de seu marido, Tommy (Eric Bana), em um acidente de escalada na Noruega. O que deveria ser uma jornada de introspecção se transforma em um pesadelo quando ela cruza o caminho de Ben (Taron Egerton), um psicopata carismático que lidera um jogo sádico de perseguição na natureza selvagem.

Theron reafirma seu status como uma das rainhas do cinema de ação físico. Sua interpretação de Sasha é crua e resiliente, transmitindo tanto o trauma emocional quanto a competência técnica de uma sobrevivente.

Kormákur utiliza sua experiência com ambientes hostis para transformar a paisagem australiana em um personagem vivo. O uso de corredeiras reais e penhascos vertiginosos cria uma tensão palpável que a computação gráfica raramente consegue replicar sozinha.

Egerton entrega um vilão interessante que foge do estereótipo bruto. Ele começa o filme como uma figura empática e protetora, tornando a revelação de sua verdadeira natureza mais impactante.

Entretanto, o filme sofre com uma certa crise de identidade. Ele começa como um drama profundo sobre o luto, mas transita abruptamente para um filme de perseguição quase slasher. Essa mudança de tom deixa pontas soltas sobre as motivações psicológicas do antagonista. Algumas escolhas de fotografia, como o uso de filtros excessivamente amarelados e esverdeados nas cenas de floresta, escondem a beleza natural do cenário e causam certo desconforto visual.

Apesar da competência técnica, a narrativa não foge das fórmulas estabelecidas por clássicos como Amargo Pesadelo ou Rambo, entregando um desfecho que muitos espectadores vão considerar previsível.

Resumindo, O Jogo do Predador é um entretenimento sólido para uma noite de streaming, mas fica aquém de se tornar um clássico do gênero. É um filme salvo por suas atuações e pelo vigor físico de sua produção.

Não confunda este filme, que no original se chama Apex, com o Apex de 2021 (estrelado por Bruce Willis). A versão de 2026 é uma produção de orçamento muito superior e com uma pegada psicológica mais séria.

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AUTOR

Felipe Fornari

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