A Festa de Léo

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“A Festa de Léo”: Um retrato autêntico da luta e resiliência na favela

Se o universo da vida de uma mulher pobre, preta e favelada está longe da sua realidade, esse filme é um convite para você saber como é a rotina de uma.

Com roteiro e direção de Luciana Bezerra e Gustavo Melo (Grupo Nós do Morro), e estreia em 30 de maio de 2024. A Festa de Léo, protagonizado por Cintia Rosa (Rita), Nego Ney (Léo) e Jonathan Haagensen (Dudu), traz em seu enredo uma trama dramática de uma mulher preta (Rita), pobre, casada com um malandro (Dudu) e mãe de um menino (Léo) que está prestes a completar 12 anos.

A história acontece em um dos cenários mais conhecidos do Rio de Janeiro, o Morro do Vidigal, local onde a pobreza brota em meio a dois bairros nobres da zona sul carioca – Leblon e São Conrado.

Com uma rotina de trabalho desgastante, Rita se programou, e tirou o dia para viver o dia do aniversário de 12 anos de seu filho Léo. O dia até começa como o esperado: café da manhã preparado com carinho e levado à cama para o menino acompanhado de um presente (um par de tênis). O dia é especial, e ela programou uma festa para Léo, guardou cada tostão, fruto do seu trabalho de atendente a turistas na praia.

Sabe aquela frase que diz que o pobre não tem um minuto de paz, então, aqui temos um claro exemplo. Rita já é surpreendida pelo gás que acaba, e quando procura o dinheiro para pagar se dá conta que foi furtada pelo próprio marido (Dudu), cena que já entrega a quão árdua é a missão dessa mulher.

Léo, o aniversariante do dia, tem a melhor mãe que poderia ter, um exemplo de honestidade e persistência. Ele é o retrato do menino do morro, o garoto pobre e preto que usa como motivação suas mazelas como combustível no sonho de ser um jogador de futebol, em contrapartida, seu pai é um exemplo de malandro, típico “enrolão” e jurado de morte pelos traficantes da comunidade por conta de dívidas.

Com uma atmosfera tensa e incorporada por desafios, a missão festa de aniversário vai se esvaindo. Rita se vê na responsabilidade de salvar o pai de seu filho, tentando incansavelmente conseguir o dinheiro para saldar a dívida com os traficantes, e entre parentes e amigos, segue se humilhando na intenção de ter qualquer trocado que possa conseguir. O dia que seria livre, agora ganha uma lista de tarefas, que passam pelo trabalho de atendente na praia, confecção de lembrancinhas e pedidos de empréstimo de dinheiro à conhecidos. Dentre tantos desafios, percebemos nesse enredo, a crítica social de um Brasil velado, escrito por quem tem uma origem de pertencimento nesse lugar.

A Festa de Léo resume muito bem a realidade de muitas Ritas, Léos e Dudus, mostra que as mulheres formam uma rede amorosa de apoio, onde uma vigia e cuida do filho da outra e poderia facilmente ser uma obra baseada em fatos, uma vez que seu enredo comumente é vivido por muitas famílias que compõem os morros e favelas desse nosso país.

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