As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas

(2017) ‧ 1h25

Uma aventura que encontra seu próprio caminho

Felipe Fornari

Depois de uma estreia marcada pelo excesso de referências e por uma representação bastante estereotipada da América Latina, As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas consegue dar um passo na direção certa. Tadeo continua sendo o pedreiro que sonha em ser arqueólogo e que, por alguma razão, sempre acaba envolvido em expedições perigosas. Desta vez, a descoberta da existência do lendário colar do rei Midas leva o protagonista e seus companheiros para uma aventura que passa por diferentes lugares da Europa. A mudança de cenário ajuda a produção a encontrar uma identidade um pouco mais confortável, ainda que a sensação de familiaridade com outras histórias de aventura permaneça praticamente o tempo inteiro.

A inspiração em Indiana Jones continua evidente, mas agora parece menos interessada em reproduzir cada elemento possível da franquia. Tadeo ainda é um herói acidental, cercado por templos, armadilhas, relíquias antigas e vilões interessados em controlar algum objeto de poder, mas o filme demonstra maior consciência de que suas referências precisam servir à aventura, e não apenas existir como uma coleção de acenos ao público. O problema é que, quando retiramos essas referências, sobra uma história bastante convencional. A busca pelo colar de Midas e o desaparecimento de Sara movimentam a narrativa com eficiência, mas raramente despertam verdadeira curiosidade sobre o que acontecerá a seguir.

A relação entre Tadeo e Sara também tenta acrescentar uma dimensão emocional à aventura. Existe uma tensão romântica entre os dois que nunca chega a se transformar completamente em relacionamento, e essa indefinição poderia ser interessante caso o roteiro explorasse melhor o que cada um espera dessa proximidade. Em vez disso, o romance permanece principalmente como elemento complementar ao humor e à ação. Os animais de estimação e a múmia Jeff ajudam a preencher os momentos de menor intensidade, funcionando como fontes previsíveis de alívio cômico. São personagens carismáticos, mas suas melhores qualidades estão mais no desenho e na expressividade do que em diálogos realmente inventivos.

A animação, por outro lado, é um dos grandes acertos da produção. Os ambientes são detalhados, os personagens possuem movimentos fluidos e as sequências de ação aproveitam bem a liberdade proporcionada pelo formato digital. As perseguições, quedas e armadilhas têm ritmo suficiente para manter o público mais jovem envolvido, enquanto a variedade de cenários permite que o filme explore visualmente sua jornada sem parecer preso a uma única paisagem. Há um cuidado evidente na construção desse mundo, e isso ajuda As Aventuras de Tadeo 2 a superar a impressão de que seria apenas uma animação derivativa produzida para reproduzir fórmulas conhecidas.

A mudança de perspectiva cultural também merece ser reconhecida. Ao deslocar a aventura para a Espanha e a Turquia, o filme reduz consideravelmente os estereótipos que prejudicavam o primeiro capítulo. Ainda existem personagens e situações construídos a partir de características nacionais bastante óbvias, mas a caricatura não domina mais a narrativa. A aventura deixa de depender tanto de uma visão simplificada de um lugar exótico e passa a utilizar diferentes localidades como parte natural do percurso. É uma evolução pequena, mas importante, principalmente porque o gênero de aventura frequentemente transforma culturas e países em meros cenários para que protagonistas estrangeiros possam viver suas descobertas.

O problema é que essa melhora não vem acompanhada de uma evolução equivalente no roteiro. A estrutura é previsível, o vilão é facilmente identificável e os obstáculos raramente parecem capazes de modificar de verdade o destino dos personagens. Mesmo quando o filme tenta criar suspense em torno do desaparecimento de Sara ou do poder do colar, sabemos que estamos diante de uma aventura familiar que dificilmente permitirá consequências muito graves. O resultado é simpático, mas pouco surpreendente. Há diversão suficiente para justificar a jornada, especialmente para espectadores mais jovens, mas faltam momentos capazes de transformar uma sucessão competente de perseguições e piadas em uma aventura memorável.

As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas é, portanto, uma continuação que melhora alguns dos problemas do original sem conseguir romper completamente com suas limitações. A animação é tecnicamente cuidadosa, os personagens continuam carismáticos e o humor funciona melhor quando deixa as referências em segundo plano. Ainda assim, a história permanece presa a uma fórmula segura demais, que apresenta pouco risco e oferece poucas surpresas. Tadeo continua parecendo uma versão espanhola de heróis muito mais famosos, mas pelo menos começa a descobrir que pode existir algo interessante quando deixa de imitá-los. É uma aventura agradável e bem produzida, mas que ainda precisa encontrar uma identidade própria para transformar seu protagonista em alguém que seja lembrado por aquilo que ele é, e não apenas pelas referências que carrega.

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