Bad Boys para Sempre

(2020) ‧ 2h04

30.01.2020

"Bad Boys para Sempre": Uma tentativa de reviver a franquia com um yoque de nostalgia

Em Bad Boys para Sempre, os detetives Mike Lowrey (Will Smith) e Marcus Burnett (Martin Lawrence) estão de volta à ação, ainda causando dores de cabeça ao Capitão Howard (Joe Pantoliano) com suas missões explosivas. Enquanto Mike continua casado com seu trabalho, Marcus começa a questionar sua vida de aventuras, preferindo passar mais tempo com sua família. No entanto, a trama toma um rumo perigoso quando Mike se torna alvo de um assassino, forçando os dois a caçarem o agressor, Armando Aretas (Jacob Scipio), que guarda segredos sombrios e tem uma missão mortal a cumprir.

A saída de Michael Bay da cadeira de diretor e a passagem de 18 anos desde o último filme levantaram a questão se Bad Boys para Sempre poderia redimir a franquia. Em certa medida, sim. Este terceiro capítulo eleva a série ao nível do primeiro filme, evitando o caos absoluto de Bad Boys II, mas ainda assim não oferece uma experiência cinematográfica inovadora. A direção dos belgas Adil El Arbi e Billal Fallah busca replicar o estilo visual de Bay, com muitas explosões, tiroteios e câmera em movimento, mas de forma menos caótica graças a uma maior ênfase na exposição narrativa.

O filme tenta recriar a química entre Mike e Marcus, mas a interação entre Smith e Lawrence mostra sinais de ferrugem. O dinamismo entre os atores não é mais o mesmo, embora o enredo apresente uma mudança significativa quando Mike é gravemente ferido por Armando. Marcus faz uma promessa a Deus de se afastar da violência se Mike sobreviver, o que obviamente acontece, levando a um conflito entre a busca de vingança de Mike e a nova espiritualidade de Marcus.

Os novos personagens, incluindo a equipe de elite AMMO composta por Kelly (Vanessa Hudgens), Rita (Paola Núñez), Dorn (Alexander Ludwig) e Rafe (Charles Melton), adicionam uma camada de modernidade à narrativa. No entanto, o filme não se compromete a desenvolver esses personagens além de seus estereótipos. A presença de Isabel (Kate del Castillo) como a mãe vingativa de Armando adiciona um elemento de mistério, mas suas motivações e ações se perdem em meio ao ritmo frenético do filme.

Apesar de tentar abordar temas como envelhecimento e mudanças de vida, Bad Boys para Sempre frequentemente abandona esses elementos para seguir entregar ação e piadas prontas e sem graça. A espiritualidade de Marcus é usada mais como um artifício cômico do que uma jornada significativa, e a recuperação rápida de Mike após ser ferido subtrai qualquer senso de realismo ou consequência.

O filme tenta equilibrar a nostalgia com a necessidade de apelar a um novo público, mas acaba sendo uma mistura de elementos familiares e tentativas de inovação que não se concretizam. Há uma sensação de que algo interessante poderia ter sido feito com o material, mas as oportunidades são perdidas em favor de cenas de ação e humor que soam reciclados em todos os níveis.

Bad Boys para Sempre cumpre seu papel de reviver a franquia para uma nova geração, mas sem trazer nada de novo. A longa espera dos fãs resulta em mais do mesmo: uma explosão visual que serve para inflar o ego de Will Smith e aumentar sua conta bancária. O filme parece mais uma tentativa desesperada de reativar uma série adormecida do que uma evolução genuína da narrativa original.

Embora Bad Boys para Sempre seja uma melhoria em relação ao longa anterior, ainda está longe de justificar sua existência além de ser um veículo de entretenimento passageiro. A promessa de um quarto filme nas cenas pós-créditos indica que a franquia pode continuar, mas resta saber se ela conseguirá finalmente encontrar um equilíbrio entre ação, humor e narrativa.

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AUTOR

Felipe Fornari

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