Corra que a Polícia Vem Aí! (2025)

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"Corra que a Polícia Vem Aí!": Rir até perder o fôlego com Frank Drebin Jr.

O retorno de Corra que a Polícia Vem Aí! não deixa de ser uma aposta arriscada. Reviver uma das maiores franquias de comédia pastelão, com um novo protagonista e mais de três décadas de distância do original, poderia facilmente cair na armadilha da nostalgia vazia. Mas o diretor Akiva Schaffer encontrou a fórmula certa: respeitar o legado de Leslie Nielsen sem tentar imitá-lo, e usar Liam Neeson de forma tão inusitada quanto brilhante. O resultado é um filme que abraça o absurdo e mantém o ritmo frenético de piadas que fez a trilogia original entrar para a história.

Aqui, conhecemos Frank Drebin Jr. (Neeson), filho do icônico policial trapalhão dos originais, agora à frente de um esquadrão que perdeu relevância e prestígio. Sua missão envolve investigar um assassinato que pode decretar o fim de sua equipe — e, de quebra, o fim da reputação construída por seu pai. A premissa é simples, mas serve como um fio condutor perfeito para uma sucessão de gags que variam entre o inteligente e o escatológico, sempre com aquele espírito “piada a cada dez segundos” que marcou a série.

O humor não se limita a situações físicas exageradas. Schaffer injeta na trama críticas afiadas à violência policial, ao imobilismo das instituições e ao universo das Big Techs e bilionários — tudo sem perder o tom leve e debochado. A escolha de Neeson é um golpe de mestre: ver o astro, mais associado a papéis de ação como de Busca Implacável, encarnando um policial atrapalhado mas com o mesmo semblante intimidador, é cômico por si só. É como se o “eu vou te achar e vou te matar” ganhasse uma camada de ironia.

O elenco de apoio também contribui para o sucesso. Danny Huston e Kevin Durand se divertem subvertendo suas imagens de vilões, enquanto Paul Walter Hauser rouba cenas com seu timing. Mas quem realmente surpreende é Pamela Anderson, que não só demonstra uma química inesperada com Neeson como protagoniza alguns dos momentos mais engraçados do filme.

Embora alguns dos melhores momentos tenham sido revelados nos trailers ainda há espaço para surpresas que arrancam gargalhadas. Algumas cenas mostram como a criatividade visual e o timing continuam sendo as principais armas dessa franquia. A trilha sonora de Lorne Balfe amarra tudo com charme extra.

O roteiro é propositalmente simples, funcionando como uma cola entre as esquetes, sem se perder em subtramas desnecessárias. E é justamente essa simplicidade que permite que o filme não se leve a sério nem por um instante, mantendo o ritmo sempre em alta. É um tipo de humor que parece cada vez mais raro no cinema atual, onde a comédia muitas vezes se dilui em excessos de autoconsciência ou piadas internas para nichos específicos.

Com 90 minutos ágeis e um respeito evidente pela essência do original, Corra que a Polícia Vem Aí! consegue a façanha de ser ao mesmo tempo uma homenagem e uma revitalização do gênero. Não é perfeito — algumas gags soam recicladas e outras poderiam ser levadas ainda mais ao limite —, mas é inegavelmente divertido e prova que, mesmo em tempos de atenção fragmentada, ainda há espaço para rir alto no cinema. Uma comédia que merece ser vista na telona, com público rindo junto.

Conheça os demais filmes da franquia

Clique nos pôsteres para ler nossa crítica sobre o filme.

CORRA QUE A POlícia vem aí!
(1988)

Corra Que a Polícia Vem Aí 2 ½
(1991)

Corra Que a Polícia Vem Aí 33 ⅓: O Insulto Final (1994)

Corra que a Polícia Vem Aí!
(2025)