A Saga Crepúsculo: Lua Nova

(2009) ‧ 2h10

20.11.2009

Entre lobos, vampiros e indecisões: o vazio romântico de “Lua Nova”

A Saga Crepúsculo: Lua Nova deixa claro, desde os primeiros minutos, que seu compromisso maior não é com o cinema enquanto linguagem, mas com a manutenção de um universo ficcional que já chega protegido por uma base de fãs disposta a perdoar quase tudo. Para quem observa de fora, porém, o resultado é um filme irregular, excessivamente melodramático e pouco inspirado, que se apoia mais na devoção do público do que em escolhas narrativas sólidas.

A direção de Chris Weitz opta por uma adaptação bastante literal do livro de Stephenie Meyer, o que acaba sendo um problema. Em vez de lapidar a história para torná-la mais fluida e cinematográfica, o filme se arrasta, preso a uma estrutura que funciona melhor no papel do que na tela. A sensação é de um longa que tem medo de cortar, de condensar ou de reinterpretar, resultando em um ritmo lento e uma falta de foco que comprometem o envolvimento.

Narrativamente, Lua Nova gira quase inteiramente em torno da ausência de Edward, uma escolha que até poderia ser interessante se o vazio deixado pelo personagem fosse preenchido de maneira dramática. No entanto, o que vemos é uma longa sequência de apatia e sofrimento repetitivo de Bella, que transforma o conflito emocional em algo cansativo, mais próximo da estagnação do que de um arco bem desenvolvido.

É nesse espaço que Jacob Black surge como o elemento mais vivo do filme. A relação entre Bella e Jacob é construída com mais naturalidade, e Taylor Lautner demonstra um carisma que falta a boa parte do elenco. Mesmo sem uma atuação memorável, ele consegue estabelecer uma química mais crível com Kristen Stewart, especialmente quando comparada à relação cada vez mais mecânica entre Bella e Edward.

Robert Pattinson, por sua vez, aparece pouco e parece ainda mais engessado do que no filme anterior. Quando retorna, o faz envolto em uma solenidade exagerada que beira o involuntariamente cômico. O romance central, que deveria sustentar o peso emocional da história, soa frio e distante, enfraquecendo o impacto das decisões que Bella precisa tomar.

Outro problema evidente está no tom do filme, que se leva a sério demais. O roteiro entrega diálogos constrangedores e situações que flertam com a autoparódia, mas a direção nunca assume essa dimensão. Sem humor ou autoconsciência, Lua Nova acaba provocando risos não intencionais, especialmente em cenas que pretendem ser grandiosas ou profundamente românticas.

Ainda assim, há pequenos méritos. O núcleo dos lobisomens é apresentado de forma funcional, e o ato final, apesar de esticado além do necessário, oferece algum senso de urgência. No fim, o filme cumpre seu papel como peça de transição dentro da franquia, mas dificilmente se sustenta por conta própria. Para fãs, é mais um capítulo aguardado; para o restante do público, uma experiência morna, marcada por excessos emocionais e pouca substância cinematográfica.

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AUTOR

Felipe Fornari

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