A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2

(2012) ‧ 1h55

15.11.2012

O espetáculo final entre excessos, truques e despedidas

A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 chega com a missão ingrata de encerrar uma das franquias mais populares, e polarizadoras, do cinema recente. O resultado é ambíguo: ao mesmo tempo em que oferece o momento mais intenso e grandioso de toda a série, também evidencia, de forma quase escancarada, as limitações narrativas e temáticas que sempre acompanharam essa saga desde o início.

O filme começa em tom surpreendentemente leve, acompanhando Bella em seu “treinamento” como vampira. Há humor, certa descontração e até uma tentativa de mostrar prazer nessa nova condição, agora completamente desprovida de qualquer traço realmente sombrio. Vampiros não sofrem, não envelhecem, não queimam ao sol e, aparentemente, só enfrentam problemas quando o roteiro precisa criar algum obstáculo artificial.

Essa primeira metade, no entanto, sofre com um ritmo estranho. O filme demora a encontrar seu eixo, alternando entre momentos de comédia involuntária, didatismo exagerado e situações que parecem existir apenas para preencher tempo. A relação entre Bella, Edward e Jacob já não carrega mais tensão emocional real, funcionando apenas como uma dinâmica estabelecida que o roteiro repete por inércia.

Quando os Volturi entram em cena, o longa finalmente encontra um senso de urgência. Michael Sheen entrega um Aro deliberadamente caricato, mais próximo de uma figura teatral do que de um vilão ameaçador. Ainda assim, sua presença injeta alguma energia, mesmo que o tom exagerado impeça qualquer sensação real de perigo. A ameaça existe mais no discurso do que na prática.

É impossível falar de Amanhecer – Parte 2 sem mencionar sua longa e impactante sequência de batalha. Isoladamente, ela é empolgante, violenta, cheia de reviravoltas e mortes inesperadas. Pela primeira vez, o filme parece disposto a assumir consequências reais, oferecendo um clímax que surpreende até quem já conhece bem esse universo.

O problema é justamente o que vem depois. A revelação que desmonta todo esse confronto transforma a cena mais poderosa da franquia em um grande truque narrativo. A sensação não é de alívio, mas de frustração, como se o filme tivesse prometido algo que não teve coragem de cumprir. Esse recurso enfraquece retroativamente o impacto emocional e deixa um gosto amargo de manipulação.

Como encerramento, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 cumpre o básico: fecha arcos, entrega fan service e oferece um adeus visualmente grandioso. Ainda assim, fica claro que a franquia nunca quis, ou conseguiu, ser mais do que uma fantasia romântica adolescente estendida ao limite. Para os fãs, é uma despedida satisfatória. Para o restante do público, o alívio maior talvez esteja nos créditos finais, que garantem que, enfim, não será preciso assistir a vampiros brilharem novamente.

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AUTOR

Felipe Fornari

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