Um documentário criado a partir das videochamadas entre a jornalista palestina Fatma Hassona e a cineasta iraniana Sepideh Farsi. Bom seria se fosse mais do mesmo: um documentário com a alta participação de um cineasta, um documentário com foco exclusivo em um indivíduo. Não é o caso desse filme, afinal, a história aos olhos de Fatma é a história, é a história de um genocídio, onde nos envolvemos com o relato, mas que na verdade é um apelo cinematográfico.

Esse nome Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe parece simplesmente doce poesia, frase que poderia ser só para ser rabiscada no canto de um livro, ou ainda aderida na pele através de uma tatuagem, era para ser só uma frase. Mas que peso traz colocar esse nome para retratar momentos tão pesados e que infelizmente se tornaram cotidianos na vida de um povo. Faz parecer um caminho árduo, onde se abandona tudo e se deve levar apenas o necessário, e o que sobra é a única coisa que não conseguem tirar, tudo que está no coração. Um povo que sai sem nada, que sofre e agoniza diante de todos e que, aparentemente, somente a empatia de muitos não se faz acabar com tal sofrimento. Provavelmente um coração esmagado de mão fechada nesse momento.
Não tem nada de bonito para se dizer desse documentário, além da necessidade de que o genocídio deve ser parado, mas que infelizmente nada será capaz de pagar as dores e cicatrizes causadas nesse momento histórico. Era só para ser dia a dia, como para tantos povos, mas para palestinos o dia a dia é penoso e triste.

Embora seja algo tão triste, o pôster do filme traz uma afinidade tão grande, o sorriso de Fatma, tão suave, provavelmente projetado de algum momento de paz dentro da sua mente, tão bem recebido por Sepideh, talvez um raro momento que não vemos a dor retratada, mas que infelizmente acaba sendo mais uma parte do epitáfio de Fatma, que infelizmente não está aqui para ver o fim dessa história.



