Quase Deserto

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Quando a terra prometida não passa de promessas vazias

Uma história latino-americana filmada em Detroit, traçando paralelos com o mito da “terra prometida” que move tantos imigrantes rumo aos Estados Unidos. A narrativa contrasta expectativas e realidade, tensiona o imaginário de ascensão, liberdade e novos começos com o abandono, a ruína e o desencanto. Um choque de realidade que nos lembra: as consequências do descaso urbano são semelhantes em qualquer parte do mundo.

O encontro improvável entre Luis, um brasileiro, e Benjamin, um argentino, coloca ambos em uma desventura quase acidental. A historia dos dois se aproxima após a entrada de Ava, uma garota enigmática que se torna responsabilidade dos latinos em uma noite tensa quando se vêm perseguidos pela imigração norte-americana (ICE) e outras figuras duvidosas. O trio forma o núcleo do filme, explorando a nova aliança entre pessoas com identidades fragmentadas.

Fazendo jus ao título, o resultado é quase excelente. Seu gancho é bom, mas o roteiro não se decide entre sátira e thriller. Ao ficar em cima do muro, o diretor dilui o impacto do roteiro e torna a narrativa menos envolvente do que poderia ser. Mas ainda assim, entrega bons momentos.

As atuações se destacam, especialmente pela naturalidade com que sotaques e identidades culturais são incorporados sem cair na caricatura. Luis é interpretado por Vinicius de Oliveira, o ator segue carregando a mesma verdade artística percebida em seu papel no iconico Central do Brasil. A fotografia reforça a atmosfera melancólica. Detroit fantasmagórica, onde o título reflete o espaço urbano e o estado emocional dos personagens.

Mesmo com indecisões de roteiro e direção, Quase Deserto acerta ao propor uma dobradinha entre Brasil + Argentina dentro do cinema independente dos EUA. É uma obra imperfeita, mas relevante, com potencial para abrir caminhos a narrativas que existam entre países, idiomas e identidades.

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