Hollywood Studios

(1930) ‧ 0h46

“Hollywood Studios” é considerado o primeiro longa-metragem do Paraná e foi restaurado num projeto histórico

Emanuela Siqueira

Filme assistido durante o 15º Olhar de Cinema.

Para quem assiste a cópia restaurada (parceria do festival Olhar de Cinema, Cinemateca de Curitiba e Sanepar) de Hollywood Studios, filme de 1930 – considerado o primeiro longa-metragem do Paraná –, de Arthur Rogge, a pergunta é inevitável: o que aconteceu com o sonhado pólo cinematográfico que o visionário empresário pretendia? A resposta vem muito parecida com o que acontece hoje: falta de apoio, seja pela ausência de políticas públicas de um século atrás, quanto de empresários da época que poderiam se beneficiar com a veiculação de imagens e, também, da recentíssima adição do som nas filmagens.

Talvez num mundo onde imagens são geradas por inteligências artificiais medíocres, que nos tiram qualquer sensação de fantástico, pareça enfadonho assistir Hollywood Studios, filme-reportagem em cinco partes que mostra os ainda muito jovens estúdios californianos, a cidade de Los Angeles e algumas estrelas de cinema em seu habitat. Porém, depois que o olho viciado se adapta ao breu da cinemateca, os ouvidos já confortáveis num som adicionado, extraído de VHS, as imagens restauradas de 100 anos atrás começam a correr pela retina. Muitos símbolos do que se considerava progresso na época passam em profusão: carros e ruas, casas de estrelas de cinema como Charles Chaplin e Gloria Swanson (que também veria sua decadência muito em breve), a mágica dos cenários em miniaturas, mas também estruturas enormes – e frágeis – de madeira. Andar pelas ruas, muitas ainda de chão batido, da hoje velhíssima Hollywood, junto com alguém emocionado pelo passeio, é bem diferente de milhares de cenas do tiktok de pessoas conhecendo o mesmíssimo lugar. Ali, sentada na cinemateca, imaginei as pessoas de Curitiba assistindo essas cenas em 1930, numa época sem TV e o exagero da imediatez imagética. Imaginei a espera pelas estrelas de cinema na tela, os comentários engraçadinhos nas transições e a experiência inerente de espectadora: de sentir como se estivesse do lado de quem manipula a câmera.

No olhar de Arthur Rogge – eu aqui imaginando a montagem da parafernália nas calçadas, o que me lembrou de Cameraman, do Buster Keaton, exatamente da mesma época – Hollywood é uma possibilidade, mesmo que a aura de crise estivesse rondando (o caos da inserção do som e a Grande Depressão no ano seguinte). E é com esse olhar que sigo os 45 minutos montados de Hollywood Studios, com as promessas que os letreiros trazem, de no futuro trazer “filmes falados em nossa língua”. Aos trancos e barrancos foi isso que aconteceu e acontece ainda, graças aos arquivos, à manutenção deles e a insistência de quem faz, distribui e cuida do cinema. A Rogge Studios fez apenas mais um filme e o diretor abandonou a carreira, porém fez história e deixou o filme depositado na cinemateca de Curitiba, e talvez isso seja o mais importante, deixar imagens que ainda nos permitam sonhar com o passado e suas imagens ruidosas.

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