Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

(2014) ‧ 2h03

19.11.2014

"Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1": um crescimento psicológico em meio à guerra de Panem

Há “franquias” e “FRANQUIAS”.

Enquanto “franquias”, como Crepúsculo e Transformers, não aprendem com seus erros, seus personagens saem de um ponto A para um B sem um real motivo, os filmes são chatos e irritantes e seus elencos parecem, às vezes, deveras constrangidos com o que lhes é proposto em cena, nas “FRANQUIAS”, como em Harry Potter e nesse Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, os personagens demonstram crescimento psicológico, as sequências ganham densidade na medida de seus lançamentos e os talentos envolvidos demonstram orgulho em participar do que é proposto.

Nessa continuação, o diretor Francis Lawrence (que também dirigiu o anterior, Em Chamas), diminui a ação e faz um filme de propaganda de guerra. Isso mesmo! Como aqueles da época da Segunda Guerra.

Vimos aqui as consequências dos atos da rebelião iniciada lá atrás, no início dos Jogos Vorazes do título, e o que eles provocaram na nação fictícia de Panem. Isso é demonstrado em tela através dos olhos de Katniss Everdeen (a nova queridinha de Hollywood, Jennifer Lawrence) e seus companheiros do Distrito 12.

O filme mexe com o psicológico da personagem através de sua aceitação em ser ou não o símbolo da rebelião (o tordo) e é nesse estudo psicológico da mesma que o filme sai ganhando. Nessa sequência, a franquia não tem medo de trazer seriedade aos atos da personagem e a joga em meio a uma guerra de proporções gigantescas alheia à sua vontade.

Os efeitos especiais são impecáveis, mas quando se tem em tela um elenco invejável, os mesmos devem ser quase esquecidos, e Lawrence sabe disso. Julianne Moore (Presidente Alma Coin), Elizabeth Banks (Effie Trinket), Josh Hutcherson (Peeta Mellark), Liam Hemsworth (Gale Hawthorne) e o falecido Philip Seymour Hoffmann (Plutarch Heavensbee), tem sua chance de brilhar e o fazem. Todos os personagens ganham seus devidos momentos e demonstram sua importância para a jornada que está por vir no desfecho da série.

Mesmo com a diminuição da ação, em relação ao antecessor, o filme não perde em ritmo. O foco está na preparação para a Parte 2 e essa decisão é de um todo acertada, afinal, antes da tempestade sempre há a calmaria.

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AUTOR

Felipe Fornari

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