Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

(2015) ‧ 2h17

19.11.2015

"Jogos Vorazes: A Esperança – O Final": Realidade vs. Expectativa

A franquia Jogos Vorazes nos cinemas surgiu para preencher o buraco deixado pela Saga Crepúsculo, tanto na vida dos fãs quanto nos cofres da Summit/Lionsgate. E a série conseguiu, mas ao longo do caminho distanciou-se bastante da franquia vampiresca de Stephenie Meyer.

Comparativamente, apenas a fórmula de um triângulo amoroso se manteve em ambas as franquias. E em Jogos Vorazes, pelo menos até o seu desfecho, este triângulo era apenas o pano de fundo da trama, que foi se aprofundando em temas políticos, numa mistura de barbaridades romanas com um mundo pós-apocalíptico de opressões e rebeliões.

A coragem com os temas explorados ao longo da série se esvai neste último capítulo. Embora ainda haja um contexto de desigualdade social, manipulação da mídia, autoritarismo e revoluções, temas que passaram a fazer parte do vocabulário das adolescentes aficionadas pela série graças a ela. Diferente de Crepúsculo cuja única abordagem era o romance “água com açúcar”.

É inegável o crescimento de Katniss (Jennifer Lawrence) como uma protagonista contraditória. Ela é teimosa e com um senso de proteção elevado, mas ao mesmo tempo desinteressada por questões alheias à sobrevivência dos seus familiares e amigos. Porém, mesmo sem desejar, ela se torna uma peça de manipulação no tabuleiro da rebelião instaurada contra o temido Presidente Snow (Donald Sutherland).

A primeira parte de A Esperança já abordava essa questão de Katniss ser usada relutantemente na propaganda de guerra. E se a primeira parte era justamente isso, então sua conclusão devia mostrar para que veio: a guerra deveria ser o foco das atenções. Não é o caso! Na verdade, a divisão da conclusão da saga acaba por gerar repetições. E a relutância da personagem em assumir seu papel no jogo político da trama soa forçada e repetitiva no derradeiro capítulo.

Em meio à guerra (que não tem as proporções imaginadas por quem é fã dos livros) o filme empaca ao voltar à abordagem do triângulo amoroso de Katniss, Peeta (Josh Hutcherson) e Gale (Liam Hemsworth). E a forma como Francis Lawrence (diretor da série desde o segundo filme) retrata o desinteresse da personagem na sua própria vida amorosa só colabora para mal aproveitar os personagens masculinos da trama.

Apesar de fiel ao livro, a saga termina desmerecendo o sofrimento da sua personagem em uma montagem feliz como só Hollywood sabe fazer no final. O último capítulo desmerece a franquia, em parte, mas ao mesmo tempo deixa sua marca na cultura pop atual. O triste é ver a série, que se distanciou tanto de Crepúsculo, quase terminar como ele.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

OUTRAS CRÍTICAS

Sem Amor

Sem Amor

Existem filmes que fazem você se sentir bem. Existem filmes que fazem você refletir. E existem filmes que fazem você ir de encontro com as mais pesadas emoções que você guarda lá dentro de si. Sem Amor é esse tipo de filme: frio, cru e brutal. Mas como representante...

Aquele Natal

Aquele Natal

Aquele Natal, nova animação da Netflix coescrita por Richard Curtis, oferece uma abordagem acolhedora e familiar ao espírito natalino. Baseado nos livros infantis ilustrados do mesmo autor, o filme se passa na fictícia Wellington, uma cidade litorânea afetada por uma...

Batman

Batman

Batman, dirigido por Matt Reeves, resgata o icônico herói de Gotham das sombras e o apresenta sob uma nova perspectiva, equilibrando elementos de mistério e investigação com o charme sombrio que o personagem merece. Abandonando o tom excessivamente exagerado dos anos...