Maldição da Múmia

(2026) ‧ 2h13

11.04.2026

Entre maldições e exageros: um horror que impressiona no visual, mas perde força na essência

“Oito anos após o seu desaparecimento, Katie retorna à sua família, mas, trazendo consigo muito mais do que apenas seu trauma”.

Escrito e dirigido por Lee Cronin, com cinematografia de Dave Garbett, trilha sonora de Stephen McKeon, produzido por New Line Cinema, Atomic Monster e Blumhouse, distribuído pela Warner Bros, e estrelado por Jack Reynor (O Casal Perfeito), Laia Costa, May Calamawy (Cavaleiro da Lua), Natalie Grace, Verónica Falcón, e Hayat Kamille, Maldição da Múmia é um filme sobrenatural e horror corporal (supernatural body horror) com temática de Múmia, mas, será que funciona?

Habitantes dos cantos repletos de areia da internet, sejam muito bem-vindos de volta a mais uma sobrenatural crítica cinematográfica.

A rotina feliz de uma família em ascensão é interrompida abruptamente quando sua filha desaparece sem deixar vestígios. Após oito anos de luto, uma ligação altera tudo novamente, quando ao resgatar um sarcófago misterioso de um acidente aéreo, Katie é encontrada.

Logo que retorna para casa, a estrutura familiar começa a esfarelar rapidamente, pois a jovem carrega consigo segredos milenares, e um mal aterrorizante que não conhece limites.

Maldição da Múmia é um filme visualmente bonito (que sabe capturar o espectador e contar bem a história), com trilha sonora envolvente (que auxilia nos momentos de tensão, mexendo com as emoções do público nas diferentes ocasiões), e que aborda temas delicados como a perda de um filho, luto, e relações familiares. Os subgêneros principais são o Sobrenatural e o Horror Corporal, com momentos de “gore” que são de revirar o estômago, e uma leve temática cultural.

O trunfo da película está no horror, no susto e nas secreções, que realmente são o forte dos envolvidos na produção.

Além disso, como já citado, a cinematografia e fotografia são bem executadas, proporcionando um visual bonito, com paisagens e cenários que possibilitam maior imersão na história.

E tratando um pouco dos elementos narrativos, abordar a contaminação do mal dentro da casa e da família, para além do personagem possuído, é certamente um ponto alto, o poder daquilo que é maligno não pode ser ignorado.

Já na mídia especializada a obra está sendo definida como um reboot em tom sombrio de A Múmia, (um dos Monstros da Universal), franquia que também foi trabalhada pela Hammer Films, no entanto, apesar de visualmente, em certos momentos, resgatar a estética dos antigos filmes, fica claro que a influência maior reside em clássicos mais “recentes” como Evil Dead e O Exorcista.

O que nos leva aos pontos negativos…

Além do roteiro fraco que “apresenta” mas não se aprofunda, – e isso desde a mitologia, passando pelos temas que tenta abordar, até o pouco desenvolvimento de personagens – algumas ações dos personagens (como a maneira esquisita e desconcertante de subir a filha com a cadeira de rodas pela escada), atuações ruins dos extras (o personagem passando pela situação mais assustadora e inexplicável da vida, e o máximo que demonstra é arregalar os olhos), e a comicidade fora de hora, fazem a experiência ficar um pouco cansativa, por vezes tirando o espectador do filme.

A similaridade com Evil Dead é inegável – inclusive Lee Cronin também escreveu e dirigiu A Morte do Demônio: A Ascensão – o que ao meu ver gera um conflito com o Marketing de ser uma versão sombria de A Múmia, parecendo mais ser um knockoff (imitação) com temática de Múmia, do que um filme 100% autêntico.

Entre mortos e feridos é preciso reconhecer que é uma produção que possui coragem, a todo tempo ela mescla um certo nível de realidade pé no chão com situações claramente absurdas, e com a comicidade que se enraíza, Maldição da Múmia por vezes quase toca o reino da Fantasia de Horror.

Todos os elementos devidamente pesados, o filme funciona razoavelmente bem, proporcionando um entretenimento divertido, apesar de algumas questões já apontadas, e fica com uma nota mediana de 2,5 de 5.

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AUTOR

Pedro Fonseca

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