Maya, Me Dê um Título

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Quando a imaginação vira afeto: Michel Gondry e o cinema feito à mão para Maya

Aqui está um filme que vai na contramão completa da pressa e do exagero. Maya, Me dê um Título vem de uma produção francesa delicada e detalhada, como só os stop-motions sabem transmitir ao público.

A animação acompanha a relação entre Maya e seu pai, o diretor (que no filme também fez às vezes de roteirista e personagem) Michel Gondry. Por viverem em países diferentes, Michel cria um ritual para manter a proximidade entre os dois: todas as noites, pede para que Maya invente um título qualquer, e a partir disso, ele constrói uma pequena história animada em que a filha é sempre a protagonista. Tudo feito à mão, com recortes de papel e stop motion.

Gondry, que já passeou por clipes icônicos de bandas como Rolling Stones e Radiohead, e por filmes como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, aqui se afasta de qualquer grandiosidade técnica, e aposta em um estilo artesanal e criativo, que encanta justamente por não depender de efeitos chamativos, cores exageradas ou trilhas imponentes. É o simples bem executado, a velha fórmula que transforma o cotidiano em roteiro, narrativa e cinema “raiz”.

Premiado como Melhor Filme no Festival de Berlim e como Melhor Animação no Lumière Awards, da França, o que no início parecia ser apenas um hobby compartilhado entre pai e filha se tornou um longa de sucesso, que chega ao Brasil este mês pela Filmes da Mostra como uma experiência sensível e diferente. Disponível com legendas na versão original com as vozes de Pierre Niney, como narrador, e Maya Gondry e Miriam Matejovsky, como elas mesmas, ou dublado, na versão brasileira, por Camilo Schaden, Lara Alves e Milú Müller.

Uma animação que conversa com crianças, mas também com adultos, lembrando que às vezes tudo o que uma boa história precisa é tempo, imaginação e alguém disposto a produzi-la.

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