Mortal Kombat 2

(2026) ‧ 1h56

06.05.2026

Flawless victory? "Mortal Kombat 2" abraça o caos sangrento dos games

Mortal Kombat 2 finalmente chega aos cinemas, e com mais sangue, mais alma e Johnny Cage! A sequência é uma evolução drástica em relação ao filme de 2021, abraçando de vez o “espírito de arcade” e a violência exagerada dos jogos.

Se o primeiro filme foi criticado por lutas curtas ou mal editadas, a sequência parece ter corrigido o curso com lutas e fatalities “nível hard” e uma coreografia muito mais limpa e visceral, além da fidelidade e serviço aos fãs. Há segmentos de luta que lembram o posicionamento de câmera “side-scrolling” dos jogos. Os fatalities são insanos e muito mais brutais, fazendo jus à classificação R (para maiores). As coreografias de luta são um ponto forte.

Shao Kahn é finalmente apresentado com a imponência de um “chefão final”. O design de som (cada passo do vilão faz o cinema tremer) cria uma aura de perigo que o filme anterior não conseguiu estabelecer com seus antagonistas.

O maior destaque sem dúvidas é a performance de Karl Urban em uma mistura de astro de ação dos anos 1990 com uma “energia JCVD” (Jean-Claude Van Damme), ele traz o alívio cômico e a metalinguagem que faltavam no primeiro filme. Sua interação com o Kano (Josh Lawson) é um dos pontos altos, entregando momentos de comédia que equilibram a carnificina.

Diferente de outros filmes da franquia onde as personagens femininas eram pouco exploradas, a bela e carismática Adeline Rudolph como Kitana entrega profundidade emocional. A trama de sua linhagem e a rivalidade com Shao Kahn dão peso ao enredo, tornando-a uma das protagonistas de fato.

Mas nem tudo é um Flawless Victory, pois o roteiro é bagunçado e às vezes parece ter sido escrito por uma criança. Com tantos personagens novos (Baraka, Sindel, Jade, Quan Chi), a narrativa às vezes parece apressada para dar tempo de tela a todos. Alguns favoritos dos fãs aparecem apenas como “bucha de canhão” ou têm mortes muito rápidas, o que pode frustrar os puristas. Os diálogos também definitivamente não são o forte do filme, com muitas frases bobas e sem inspiração.

Embora o protagonista original Cole Young ainda esteja presente, muitos vão sentir que ele foi deixado de lado para priorizar os ícones clássicos (o que, para muitos fãs, é na verdade um ponto positivo). No entanto, ficou esquisito ele ser o protagosista do primeiro e filme e nesse, ser menos que um coadjuvante.

Outro personagem que me incomodou um pouco foi Liu Kang, pois apesar de ter boa imagem e lutar bem, a interpretação do ator deixa muito a desejar. Outro ponto fraco do filme foi a cena na aldeia do Baraka, quem ver vai me entender.

Como uma adaptação de videogame, Mortal Kombat 2 é um filme feito para os fãs, cheio de referências (“easter eggs”), cenários icônicos (como o The Pit) e uma energia caótica de “sessão da tarde com muito sangue”. O filme não tenta ser o que não é. É um espetáculo de gore, artes marciais e campiness que entende perfeitamente que o público quer ver o destino do mundo decidido em um “soco no saco”.

Se sua prioridade for uma história densa e bem amarrada, o filme vai decepcionar. No entanto, se você busca um “fliperama em forma de filme”, com boas lutas, magias, sangue e os personagens clássicos da franquia, Mortal Kombat 2 entrega exatamente o que o fã dos jogos quer ver. O longa compensa suas falhas de história com inúmeras referências nostálgicas, cenários icônicos e a introdução de figuras adoradas como Kitana e Jade, em um verdadeiro serviço aos fãs.

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AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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