Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras, dirigido por Michele Mally, é um daqueles documentários dedicados a grandes mestres da arte. A obra parte da questão: quem foi Edvard Munch para além do autor de O Grito. A diretora busca apresentar um artista inquieto e de imaginação vasta, marcado pelas tragédias pessoais e pelas ansiedades de seu tempo.

A sinopse do documentário revela o esforço de reconstruir a trajetória emocional, criativa e histórica de Munch (1863–1944). Narrado pela atriz Ingrid Berdal, o longa inicia na casa do artista na Noruega e apresenta ao espectador ambientes e paisagens que influenciaram sua identidade: cenários das praias e florestas geladas norueguenses, os cenários germânicos onde produziu parte de sua obra e a propriedade perto de Oslo, onde viveu seus últimos trinta anos. A narrativa inclui dramatizações, depoimentos de especialistas e a apresentação de obras emblemáticas, como Madonna, Os Solitários e A Dama Vampira, que revelam sua fixação pelo amor, pelo medo e pelo sobrenatural.
Ao reunir historiadores da arte, curadores e artistas, o documentário explora como as tragédias pessoais marcaram o pintor. A morte precoce da mãe e da irmã, seus conflitos amorosos e as lutas com a saúde mental são apresentados no documentário. Obras como O Grito aparecem, além de símbolos universais de angústia, como manifestações íntimas de um espírito atormentado.

O documentário também oferece uma imersão visual de grande potência estética. Os contrastes entre luz e sombra sugerem acertadamente a complexidade psicológica do artista. Além disso, se beneficia da existência do novo Museu MUNCH, inaugurado em 2021 em Oslo, cujas 28 mil peças oferecem uma leitura ampliada da obra do pintor, leitura que o documentário aproveita para superar a centralidade de O Grito.
O documentário pode ser considerado uma contribuição relevante para renovar o olhar público sobre Edvard Munch. Revela sua busca por representar emoções, além de um olhar curioso sobre a vida, como seus experimentos e encantamentos com o cinema e com a fotografia, recentes em sua época. Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras oferece uma porta de entrada para quem deseja compreender como um homem, moldado pela dor e pelas paixões de sua época, transformou seus fantasmas pessoais em um legado artístico que continua a reverberar no século XXI.




