Não Sou Nada

(2023) ‧ 1h32

29.05.2025

"Não Sou Nada", uma reunião sobre: tudo e nada, com Fernando Pessoa e seus heterônimos

Dirigido por Edgar Pêra, é uma proposta ousada e diferente: entrar na cabeça de Fernando Pessoa e explorar seus pensamentos, angústias e os famosos heterônimos como se todos existissem num mesmo espaço, o Nothingness Club, uma espécie de escritório do vazio onde tudo e nada acontece ao mesmo tempo.

A ideia é original e até poética, tentando captar a essência fragmentada do escritor, suas crises existenciais e o tom meio niilista que marca grande parte de sua obra. Com uma montagem surrealista, o filme brinca com o tempo, a identidade e a lógica, criando um ambiente caótico que reflete bem os devaneios do poeta.

Apesar de toda essa criatividade, a experiência pode ser um pouco cansativa. A narrativa se arrasta em vários momentos e os diálogos filosóficos, embora interessantes, acabam por soar repetitivos e desconectados. A proposta visual e conceitual é forte, mas falta algo que prenda emocionalmente.

Ainda assim, vale reconhecer a coragem de Pêra em encarar um desafio tão ambicioso. Homenagear Pessoa não é tarefa fácil, e ele por trilhar um caminho próprio e muita liberdade artística. No fim, Não Sou Nada é uma obra que provoca mais do que entretém. Pode não agradar todo mundo, mas tem seu valor justamente por tentar algo fora da curva, celebrando um dos maiores nomes da literatura portuguesa.

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AUTOR

Melissa Pasqualli

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