O título, Nino de Sexta à Segunda faz alusão a um fim de semana que muda tudo. Três dias pivotais que determinam a vida após uma notícia capaz de tirar o chão de qualquer pessoa. Interpretado por Théodore Pellerin, Nino está habituado a viver uma vida ausente de si mesmo: introspectivo, evitando grandes conflitos e se refugiando em uma vida silenciosa. Porém, um diagnóstico de câncer na garganta, próximo ao seu aniversário de 30 anos, aparece para coloca-lo em uma posição profundamente desconfortável. Nino se vê contra a parede do grande questionamento shakesperiano: ser ou não ser.

A atuação de Théodore Pellerin conduz os 90 minutos de história com maestria. Ele se mostra alinhado a uma escola de atuações não pretensiosas e certeiras, que lembram o trabalho de Renate Reinsve. Performances que não buscam grandiosidade, mas precisão emocional.
O roteiro e direção de Pauline Loquès exploram justamente essa ausência de presença, a tentativa de fuga da realidade como mecanismo de defesa em tempos difíceis. Ao mesmo tempo, confronta esse caminho com a beleza das relações humanas: amizades profundas, laços familiares e até mesmo desconhecidos que se tornam próximos por um curto período. Todos esses encontros atestam que ser visto e ser amado são a injeção de coragem para se fazer presente, mesmo diante dos maiores furacões da vida.

A trilha sonora é de bom gosto e se apresenta como um coadjuvante, construindo a ambiência do estado mental conflituoso de Nino e ampliando a sensação de deslocamento e fragilidade que atravessa o protagonista.
Para adeptos do gênero de dramas existenciais, o filme é tecnicamente e emocionalmente excepcional. Nino se firma como uma produção bem acertada e digna da atenção recebida no circuito de premiações internacionais de 2025/26.







