O Começo da Vida

05.05.2016 │ 11:04

05.05.2016 │ 11:04

Quando o assunto são as crianças, uma gama incrível de informação está disponível para os pais, indo das mais incríveis crendices populares a teorias científicas comprovadas e assinadas por 15 pesquisadores de Harvard. E o que os assustados pais, que acabaram de sair da maternidade com um serzinho miudinho e exigente, devem fazer? Seguir a receita de família para criar filhos, que funciona há incontáveis gerações (você é prova viva disso, não é?), ou melhor escutar o pediatra e aquele livro sobre psicologia infantil que saiu ano passado? Pois é, pelo jeito, fazer aquele serzinho miudinho crescer pra se tornar um adulto, pelo menos, no mínimo, feliz pode ser muito mais desafiador do que os comerciais de margarina, com crianças e pais felizes e sorridentes, fazem parecer. Mas segundo o documentário O Começo da Vida, da diretora e roteirista Estela Renner (diretora de Criança, A Alma do Negócio e Muito Além do Peso, todos disponíveis gratuitamente – ah, e você ainda pode conferir outros curtas e documentários na plataforma VIDEOCAMP), tudo que os pequenos precisam é se sentir amados, seguros e amparados. Fácil, né? 😀
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O documentário trata basicamente dos primeiros anos de vida da criança, e para isso entrevistou e mostrou o dia a dia de diversas famílias em alguns países ao redor do mundo (Brasil, EUA, Canadá, Itália, China, Argentina, Índia e Quênia). As famílias têm todo tipo de estrutura: mães ou pais que abdicaram de suas carreiras para cuidarem de seus filhos em tempo integral; crianças sem família que são criadas pela comunidade; crianças mais velhas que abdicaram de suas próprias vidas para cuidar dos irmãos; entre outros. Além de tudo que vemos e ouvimos de pais, mães e crianças, também podemos conferir a opinião (científicas) de diversos especialistas, entre professores, pediatras, psicólogos, economistas, entre outros.
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O filme é bastante enfático quando discute as necessidades das crianças em seus primeiros anos de vida, não deixando muito lugar para interpretação. Ele traz muitas imagens e cenas de famílias que passam bastante tempo com as crianças, que as fazem se sentir seguras e felizes, e as amparam em suas primeiras necessidades. O filme foca bastante em famílias que dividem as tarefas domésticas (uma mãe chega a afirmar que os amigos a criticam por não dar sossego ao marido, que trabalha o dia todo fora, mas ela é categórica em dizer que trabalha tanto quanto ele com as crianças em casa e a divisão das tarefas é justa. E ela está certa, se você me perguntar), e não dá muita ênfase nas famílias em que ambos os pais trabalham fora o dia todo, a não ser quando mostra uma família na China em que os avós ficam com as crianças, e a mãe demora mais de 3 horas pra voltar pra casa depois do trabalho. E no final, enquanto alguns pais se matam de trabalhar para dar o melhor para seus filhos, outros sofrem para oferecer o básico. E a mensagem final de uma das especialistas entrevistadas é: as crianças precisam de coisas que não custam dinheiro, como amor, carinho, atenção. Mas como pensar nisso se você e seus filhos não têm comida ou onde morar?
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Um dos temas discutidos no documentário que mais me chamou a atenção foi o das comunidades e sua função na educação de crianças. Em alguns países, essa prática ainda é bastante comum (e o documentário ainda mostrou o experimento de um grupo de famílias em São Paulo), e em países latinos, como o Brasil, ainda podemos contar com as famílias extensas (avós, tios, primos, etc.), mas na maioria dos grandes centros de países ocidentais essa prática deixou de existir. Hoje é cada família por si, e quando a criança fica doente, ou os pais, ou a família passa algum tipo de necessidade, a coisa complica. E, como um tipo de reflexão pós-filme, uma das cenas mais lindas mostra diversos pais e filhos ao redor do mundo enquanto ouvimos a canção It takes a whole village (It takes a whole village to raise our children/It takes a whole village to raise one child/We all everyone must share the burden/We all everyone will share the joy). E a mensagem final, que fica nas nossas cabeças muito tempo após o filme ter acabado, é: uma criança não é apenas responsabilidade dos pais, mas de toda a comunidade.
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Ah, vale comentar que o filme está disponível de forma gratuita de hoje até domingo em 21 cidades (veja a lista de cidades e cinemas AQUI), ou seja, você pode levar a família toda pra assistir. E se você mora no exterior ou se sua cidade não tem cinema, ou não vai receber o filme, não tem problema! Ele vai estar disponível online AQUI.
Nota:

[wpdevart_youtube]FyslsQ547ho[/wpdevart_youtube]

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