O Filho de Joseph

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16.03.2017

"O Filho de Joseph" é uma experiência sensorial muito interessante de um diretor com um estilo que lembra muito um Buñuel

A bíblia é uma fonte de histórias que servem de inspiração para muitas esferas da arte, seja a própria literatura, a pintura ou mesmo o cinema. Neste próximo filme de Eugène Green a chegar às telonas, ela permeia toda a narrativa protagonizada pelo “filho de Joseph”.

O famigerado filho, Vincent (Victor Ezenfis), é um adolescente que vive apenas com a mãe, Marie (Natacha Régnier). Esta se recusa a falar o nome de seu pai ou dar qualquer informação a respeito. Consequentemente, Vincent vive revoltado, com uma carranca típica da idade em que tudo parece à flor da pele. Naturalmente, já que Maomé não vai à montanha, a montanha decide ir a Maomé.

Mas não é essa a analogia bíblica presente. Desde o início do filme, temos uma divisão em “capítulos” onde o tema principal é “O sacrifício de Abraão”: quando Abraão recebeu a mensagem de Deus para matar seu filho, Isaac. Outra manifestação desta história divina é a tela de Caravaggio, “O sacrifício de Isaac”. Ainda ocorre outro paralelismo no meio da história, mas para fins de surpresa, não contarei.

Vincent eventualmente descobre quem é o pai, Oscar Pormenor (Mathieu Amalric), um editor parisiense egoísta e seboso, que leva uma vida de aparências e se acha um gênio. Disfarçado sob a alcunha de Vincent Dumarais, Vincent passa a circular nos eventos do pai para conhecê-lo, mesmo que à distância, quase como um penetra, mas não gosta do que encontra. Porém, no meio de sua busca e desilusão com o pai biológico, o acaso faz Vincent conhecer Joseph (Fabrizio Rongione), irmão de Oscar. Joseph é bondoso e simpático e os dois formam uma amizade peculiar.

Logo no início, o público que não está familiarizado com a filmografia do diretor pode estranhar a forma como os atores se portam. É difícil se identificar com personagens que parecem um tanto robóticos, falando como se fossem pessoas normais lendo um texto teatral, um discurso sem entonação na voz. Passado um tempo, esquece-se a estranheza e embarca-se na história, que não passa de um filho atrás de seu pai biológico e que decide mudar seu destino. Não deixe de assistir esse filme, uma experiência sensorial muito interessante de um diretor com um estilo que lembra muito um Buñuel, surreal, porém fascinante.

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AUTOR

Marcela Sachini

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